O que vivi com Viktor Frankl #2 | Relato vivencial de Maísa Fulginitti

Na segunda edição da série “O que vivi com Viktor Frankl”, a aluna da AgirTrês Maísa Fulginitti relata sua experiência prática com a logoterapia enfrentando uma doença imunológica.


Meu nome é Maísa Fulginitti, tenho 60 anos, sou educadora física e fui bailarina.

Dancei no Brasil, na Argentina, no Chile, na Republica Dominicana e no Japão onde morei 06 meses.

Estudei M.T.C (Medicina Tradicional Chinesa), fui duas vezes à China (Beijing) para terminar meus cursos.

Sou Personal Trainer, trabalho com exercícios funcionais, ginástica localizada, alongamento e para atender melhor os meus alunos, disponibilizo Shiatsu, Reflexologia e atendo para tratamento com fita elástica …e Spiral Tape.

Vou relatar uma parte de minha vida onde tive que enfrentar problemas reais e situações difíceis.

Em 2001 tive perda da visão periférica e foi diagnosticado como stress na região dos olhos com indicação de um óculos para perto e outro para longe, após dois meses a minha visão voltou ao normal. Nesta época estava investigando uma paristesia em 1 dos dedos do pé, após 2 anos fazendo todos os exames, sendo que o último foi uma ressonância magnética e constatou E.M. (esclerose múltipla). Iniciei o tratamento com Interferon, uma injeção intra muscular uma vez por semana que me causava 390 de febre todas as vezes que tomava e nos dois dias após a injeção,tinha dores em todas as articulações do corpo, detalhe: nunca deixei de cumprir minhas obrigações que eram trabalhar e dançar.

A única pessoa que sabia era meu marido, só contei para poucas pessoas anos depois. Enfim, após 10 anos tomei conhecimento do tratamento com a Vitamina D e já estou me tratando a 5 anos, tenho muito mais disposição e não sofro com efeitos colaterais.

Meus pais nunca souberam que eu tinha uma doença imunológica, eu dizia que tinha baixa imunidade. Tenho uma irmã com 8 anos a mais que eu, que nunca se interessou pelo meu problema. O que mais me preocupava, era o que iria acontecer comigo quando meus pais falecessem, porque  já tinham idade avançada e na mesma época do meu diagnóstico, comecei a cuidar mais intensamente deles.

No decorrer dos anos, os problemas começaram a acontecer: meu pai a muitos anos já tinha dificuldades de locomoção e a visão comprometida, minha mãe sempre foi uma pessoa com muita disposição e muito alegre. Mas aos 87 anos teve um câncer de intestino e todas as decisões ficaram sob minha responsabilidade. Ela operou e ficou bem durante dois anos e meio, foi quando apareceu outro câncer, no pâncreas, e muito agressivo. Os médicos deram de 03 a 05 meses de vida mas ela faleceu em 1 mês e meio (dezembro de 2015).

Meu pai já estava morando comigo 1 mês antes de ela falecer, ele não sabia da gravidade do problema dela. Foi um ano de muito sofrimento e fragilidade do meu pai, ele dizia que só estava vivo por minha causa.

Antes do falecimento de minha mãe, em maio de 2015, fui convidada pela Simone Guedes, diretora pedagógica da AgirTrês e minha prima, para a Oficina de Sentido da Vida  e comecei a pensar com uma outra visão. Sou Budista e essa palestra tinha muito a ver com minha filosofia de vida, depois disso participei de outros  02 eventos promovidos pelo Núcleo

Com a morte de minha mãe, ficou muito delicada e evidente a fragilidade de meu pai, e em meio a toda essa turbulência decidi iniciar o Curso de Introdução à Logoterapia e Análise Existencial para profissionais da área da saúde.

Decidi estudar para suportar a dor de também perder o meu pai em fevereiro de 2017.

Viktor Frankl e toda a literatura que estou conhecendo, é que me deixou em pé, digo com toda convicção: O meu emocional não suportaria a perda dos meus pais em 1 ano e dois meses.

Minha mãe era minha amiga, confidente e cúmplice e meu pai, meu eixo, meu esteio.

A logoterapia de Viktor Frankl me salvou.

Entender a morte, o luto e todas as questões que transitam entre a felicidade e o sofrimento e achar um sentido em tudo, isso faz com que a gente transcenda na compreensão, e está sendo essa compreensão o meu apoio físico e emocional. Compreendi a “Tríade Trágica” onde Viktor Frankl diz: “Todo homem sofre em algum momento, todo homem, em algum modo, torna-se culpado, e todo homem morrerá um dia”; mas no lugar da culpa, tenho eterna gratidão.

Apesar do pouco tempo, “Maísahoje me sinto uma Logovivente”.

Maísa Fulginitti, agosto de 2017.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *