O que vivi com Viktor Frankl #9 | Relato logovivencial de Adriana Possale

A nona edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” é especial. Ela une as datas comemorativas de maio (a da Enfermagem e das Mães) numa só vivência: a de Adriana Possale, enfermeira de cuidados paliativos e mãe de duas meninas lindas. Nesta história, Adriana conta como entrou em contato com a Logoterapia, o que a fez se reconectar com seu sentido do cuidar. Confira!


Estou hoje, em uma tarde linda e fria de Outono escrevendo meu relato de vida, relato de logo vivente. Sou Adriana. Sou enfermeira, sou amiga, sou filha, sou mãe, sou faxineira! E dentre os vários papéis que venho a  exercer no mundo, sou em primeiro lugar pessoa. Sinto o que tu sentes! Nasci no interior de São Paulo, sou a segunda filha, sendo que meu primeiro irmão não chegou a nascer, perdas não vivenciadas de uma mãe, um casal que fez o melhor que pôde, dentro das possibilidades que eles tinham.

A vida me apresentou a Logoterapia em um dos encontros de mulheres do Põe no Mundo, onde eu buscava respostas para minhas angústias existenciais relacionadas ao casamento, a maternagem, ao trabalho em equipe dentro das instituições de saúde, ao meu posicionamento dentro desse contexto geral em se tratando da minha responsabilidade e a responsabilidade do outro, na época fui convidada pela amiga, psicóloga e coach Mayra Aiello que me apresentou para a querida Simone Guedes, diretora pedagógica do Núcleo AgirTrês.

Desde muito cedo, em minha vida pessoal e profissional tenho um sentimento que me impulsiona, algo além de mim, que me leva a buscar o melhor para mim e para o outro, é na sutileza de detalhes que encontramos no outro um pouco de nós e assim somos espelho! Me despindo das culpas e procurando humildar o Ego… Em cada bagagem uma história! Cada paciente uma memória! A dor de cada um é também a minha dor, assim procuro só espalhar Amor … Quando li a frase de VIKTOR FRANKL : “Encontrei o significado da minha vida, ajudando os outros  a encontrarem o sentido das suas vidas” entendi que os momentos vivenciados durante a doença eram também a minha cura interior. 

“A nuvem” que me orienta. Por muito tempo pensei que se trabalhasse muito iria alcançá-la, porém, estudando a ciência da terapia do Sentido de Vida observei que ela sempre estará a frente… inalcançável! Foi aí que entendi que  “O SENTIDO DA ENFERMIDADE CONSISTE EM CONDUZIR A QUEM ESTÁ TOCADO POR ELA, AO SENTIDO DA VIDA” (Jaspers, 1991, p. 19)

Hoje, após quinze anos de experiências com pessoas que vivenciam a tríade trágica (sofrimento, culpa e morte),  na experiência da dor e da doença, curso a especialização em Cuidados Paliativos no Instituto Paliar, só tenho a agradecer a todos que fazem parte da minha Vida, a todos que pude tocar o coração, possibilitando mais do que medicações e curativos, como enfermeira que sou, toquei Vidas com V maiúsculo; Em especial a Valéria Guedes, amiga que definitivamente me conduziu a esta jornada.”

Adriana Possale é mãe, coach e enfermeira com ênfase em cuidados paliativos e abordagem logoterapêutica.

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