Convite à leitura – Teoria e Terapia das Neuroses, de Viktor Frankl

Neste mês de homenagem ao psicólogo, convidamos à leitura da obra Teoria e Terapia das Neuroses: introdução à logoterapia e à análise existencial, de Viktor Frankl.

VOL VII PARTE I – Introdução

Teoria e terapia das neurosesPrefácio da 1ª Edição

Este livro originou-se das aulas ministradas por Viktor Frankl na Universidade de Viena chamadas “Teoria da neurose e psicopatia” ou também “Teoria e terapia das neuroses” e foram completadas pelos originais das palestras que realizou em outros lugares […]. Toda teoria e toda terapia das neuroses têm de se movimentar sobre uma escada celeste que está ficando sobre um chão clínico e mesmo assim alcançar o espaço metaclínico. Por motivos heurísticos e para fins didáticos, temos que agir como se existisse algo como degraus distintos dessa escada de Jacó. Na realidade, não existem neuroses puramente somatogênicas, psicogênicas e noogênicas, mas muito mais casos mistos – casos nos quais um fator somatogênico, psicogênico e noogênico protagoniza opiniões teóricas e intenções terapêuticas. Tais reservatio mentalis devem ser lidas nas entrelinhas.

Esquema da teoria das neuroses – I Teoria das Neuroses como Problema

“[…] Trata-se de uma questão à parte saber como conseguir manter e proteger a unidade da existência humana também na teoria, na observação do homem, na imagem do homem, apesar desse abismo insuperável entre o psíquico, de um lado, e o somático, do outro – sendo cada um deles uma maneira de ser essencialmente diferente. Em minha opinião, isso é possível no contexto de uma consideração da ontologia dimensional do problema psicofísico. Pois enquanto falarmos dessas maneiras de ser apenas em analogia com uma estrutura em degraus ou camadas – por exemplo, como fazem Nicolai Hartmann e Max Scheler, continua existindo o perigo de o ser humano ser dividido, por assim dizer, em um ser corporal e em um ser anímico – como se o homem fosse composto de corpo e alma (e espírito).” (Frankl, V. Teoria e Terapia das Neuroses – Introdução à logoterapia e à análise existencial,  p. 61).

“[…] a logoterapia não é uma terapia rival das outras, mas poderá ser um desafio para essas por conta de seu plus. Mas os efeitos desse plus nos são revelados por N. Petrilowitsch, quando ele diz que a logoterapia, ao contrário de todas as outras terapias, não se mantém no nível da neurose, mas vai além dela e alcança a dimensão dos fenômenos especificamente humanos. Com efeito a psicanálise enxerga na neurose o resultado de processos psicodinâmicos e, dessa maneira tenta tratar a neurose na medida em que insere no jogo novos processos psicodinâmicos, como a transferência. A terapia comportamental, ligada a teoria da aprendizagem, enxerga na neurose o produto de processos da aprendizagem ou conditioning processes e, nesse sentido se esforça para influenciar a neurose induzindo a um tipo de reeducação ou processo de recondicionamento. A Logoterapia por sua vez, entra na dimensão humana e, dessa maneira, fica apta a acrescentar a seu instrumental os fenômenos humanos específicos que surgem nessa dimensão. E, na verdade, trata-se de nada mais nada menos do que duas características antropológicas fundamentais da existência humana: em primeiro, sua aut transcendência e, em segundo, a capacidade de autodistanciamento, que específica em igual medida, a existência humana como tal, como humana.”  (Frankl, V. Idem, orelha do livro).

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