A crise da contemporaneidade sob a ótica da Logoterapia

 

“Seja feliz!” é o que lemos estampado em capas de cadernos, posts no Instagram e propagandas. Como educadora e coach, percebo que há uma crise na sociedade contemporânea que reflete uma crença de que uma vida pode ser plenamente feliz o tempo todo e que a realização pessoal é um objetivo a ser perseguido.

Tenho no trabalho a oportunidade de lidar com  a necessidade de aprendizado sobre as dificuldades que essas crenças e formas de viver trazem como consequência. São marcas de uma sociedade que tem se tornado cada vez menos tolerante às dificuldades e limites e tem buscado soluções questionáveis, incluindo medicamentos, para enfrentar os desafios que toda vida humana apresenta.

É a partir desse cenário que quero trazer uma reflexão sobre esta questão tão recorrente e atual sob a ótica da Logoterapia. Viktor Frankl nos convida a enxergar que há um nível de estresse saudável, que incomoda para nos mover ao novo, ao que podemos vir-a-ser. Quando tentamos abafar esse incômodo, as chances são que permaneçamos no mesmo lugar, sem descobrir e vivenciar os nossos potenciais.

Nas palavras dele, o que o ser humano precisa é a busca e a realização de um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente. É isso que nos move ao futuro, à coragem e a ação. Essa é a motivação real: buscar, encontrar e realizar um sentido concreto. É responder com liberdade e responsabilidade à pergunta que a vida lhe faz hoje.

Essa tarefa não é necessariamente simples ou fácil, mas é o que nos mantém mentalmente saudáveis, independente das condições em que estivermos, sejam elas fáceis ou adversas. A logoterapia apresenta assim o conceito de fatores protetores, sendo o principal deles, a busca e realização de sentido.

Os fatores protetores funcionam como uma “vacina” contra o sem sentido, angústia, tédio ou apatia e promovem condições para enfrentar os desafios. Elizabeth Lukas, psicóloga e escritora austríaca, discípula de Frankl e autora, aponta com muita ênfase a importância de cultivar a  alegria como um fator protetor e cita coisas simples como perceber as pequenas alegrias do dia, como uma mãe cansada que lembra que sua exaustão existe porque a realização de um sonho ocorreu, perceber o cheiro do café quente espalhando pela casa de manhã ou até mesmo poder se encantar com uma flor nova que apareceu num canteiro.

Reconhecer essas alegrias e se permitir esses momentos de contemplação, são poderosos recursos para fortalecer o ser, se tornar mais criativo, perceber outras possibilidades no caminho.

Cultivar estes momentos preciosos, facilita nossa jornada em direção ao sentido, em vez de sucumbir às dificuldades. Ao reconhecer as pequenas alegrias, posso me fortalecer para, com coragem, realizar algo de significado na minha vida, no meu trabalho, a partir das minhas escolhas e ações.

Esta é uma perspectiva logoterapeutica para as crises que vivenciamos na contemporaneidade. Dentro do Núcleo de Logoterapia AgirTrês, estamos juntos com você nesta busca e oferecemos apoio para perceber novas possibilidades de realização de sentido, a partir do que a vida oferece.

Sugestões de leitura:

Capítulo sobre Alegria no livro Psicoterapia em Dignidade de Elizabeth Lukas.

Livro Em busca de Sentido de Viktor Frankl

 

 

Se você ficou interessado em adquirir os livros ou receber mais informações sobre os tipos de apoio que oferecemos no Núcleo de Logoterapia AgirTrês, entre em contato pelo whatsapp: +55 11 99299.0930

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