2021 – Um convite para viver o presente à luz da logoterapia

Todos nós aprendemos muito em 2020, mas talvez a lição mais importante que podemos tirar de todos os acontecimentos seja esta: nós precisamos viver o presente.

Ao longo desse ano, todos nós adiamos alguma coisa: um abraço apertado, uma reunião presencial, um passeio divertido, uma viagem especial ou um novo projeto.

Tivemos que evitar o contato físico e, por isso, reinventamos maneiras de nos relacionar. Intensificamos o uso da comunicação e ampliamos o nosso alcance social, descobrindo novas possibilidades de viver a vida. Segundo Viktor Frankl, nós não somos produto das circunstâncias, somos produto das nossas decisões. E estas são as grandes responsáveis pelas mudanças em nossa caminhada.     

Não sabemos o que o amanhã nos reservará, mas seguiremos ainda mais fortalecidos do que nunca. Em meio a esse turbilhão de emoções e frustrações, compreendemos a importância de saber ressignificar os acontecimentos, vivendo o agora.    

Um novo ano se inicia e com ele 365 novos momentos. Que 2021 seja um convite para vivermos cada dia de forma presente e significativa, com escolhas mais conscientes e responsáveis!


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Logoterapia e Promoção da Saúde

Saúde resulta de uma vida com sentido, realizado através do exercício da consciência, das atitudes em um viver  livre e responsável.

“Encontrar sentido na vida é um dos mais importantes fatores de prevenção, proteção, preservação e sustentação da vitalidade do ser humano.”

Começo este artigo tratando do conceito atual de saúde definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS): “um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social e não meramente a ausência de doença”. Este entendimento sobre o que é saúde está implícito na teoria desenvolvida por Viktor Frankl, na qual o ser humano é compreendido como um ser multi e interdimensional, tanto na saúde quanto na doença. A sanidade do ser humano não é apenas somática, nem apenas somática e psíquica, mas uma sanidade somática, psíquica e noética*, permeada pelo social.

A Logoterapia é uma abordagem com foco no sentido da vida, é a “terapia da esperança”, a “psicoterapia das alturas”, e pode ser utilizada para promover saúde através de prevenção e manutenção desta, ou seja, o foco está na saúde e não na doença.

Pensar em promoção da saúde implica em compreender a natureza do processo humano do adoecer. A Logoterapia parte do pressuposto que o ser humano sofre e adoece não apenas pelas necessidades primárias – sede, fome, sono, sexo – mas igualmente pela frustração de sua principal motivação – o imperativo de viver com sentido.

A falta de sentido, fragiliza, deixa o indivíduo desprotegido, vulnerável ao vazio existencial, a frustação noética e/ou a neurose noogênica, ao se perceber frustrado no caminho do sentido. Encontrar sentido na vida é um dos mais importantes fatores de prevenção, proteção, preservação e sustentação da vitalidade do ser humano.

Na minha prática clínica de 25 anos em atendimento psicoterapêutico, e desde 2000 como logoterapeuta, observo que os pacientes chegam ao consultório apresentando sintomas diversos e queixas variadas, contudo a ênfase é a busca de sentido no sofrimento, necessitando enfrentá-lo e aprender a cuidar de si de uma forma mais saudável, o que implica aprender a lidar com as dificuldades da vida, o que Frankl nomeou de tríade trágica – perdas, falhas e finitude (sofrimento, culpa e morte). Como nos ensina Frankl, “não é o que esperamos da vida, mas sim, o que a vida espera de nós”, essa é a pergunta que deve ser feita no mais profundo âmago do ser humano.

Para promover a saúde do ponto de vista logoterapêutico, precisamos lembrar que a realização pessoal não é o maior objetivo da existência humana, mas sim uma consequência do encontro de sentido na vida. Sentido que só pode ser encontrado através da autotranscendência, isto é, se direcionar para algo (ou alguém) além de si. A autorealização é um efeito secundário, aquilo que se denomina felicidade, que só pode ser alcançada como efeito, e não como meta.

Enquanto propósito significativo capaz de desenvolver a dimensão vital noética profunda, a questão fundamental para essa concretização é novamente modificar o questionamento interno, deixar de se questionar sobre os porquês da vida, e começar a se perguntar sobre os para quês. Pessoas são chamadas pela dimensão noética a despertar a consciência, tornarem-se responsáveis e a vivenciarem profundamente seus atributos de homo faberhomo amans e homo patiens (o homem que faz, ama e sabe sofrer, respectivamente).

A logoterapia não propõe libertar o ser humano daquilo que percebe como sofrimento, mas auxiliá-lo a lidar com ele. Partindo da hipótese de que não há situação na vida que não contenha em si alguma possibilidade de sentido. Esse é o primeiro e mais importante aspecto do caráter preventivo logoterapêutico: amparar pessoas sadias ou doentes na jornada individual da busca de sentido.

Para fortalecer os fatores protetores para prevenção e enfrentamento dos fatores de risco, utilizo na prática clínica recursos logoterapêuticos para despertar e afinar a consciência, apelar ao sujeito sadio interno (conceito encontrado na salutogênese, sintonizado com as propostas de nossa abordagem) engajamento nos pontos culminantes do passado, de concentração no presente e de chegada no futuro, percepção de possibilidades de sentido e incentivo à concretização do que foi percebido.

O segundo aspecto preventivo é que a Logoterapia ajuda a pessoa a tomar decisões que possuam sentido, como um processo psico-educativo contínuo. É necessário aprender a trabalhar com o senso de coerência entre intenção e ação. Elisabeth Lukas dizia a seus pacientes “Queiram aquilo que fazem! ” e não: “Façam o que querem! ”

Concluindo, o terceiro aspecto de prevenção e amparo ao ser humano no fortalecimento interno, para que mantenham suas decisões plenas de sentido, há um importante fator de conscientização, toda decisão contém em si vantagens e desvantagens a serem consideradas, e isto implica em exercer a liberdade de escolha e o consequente enfrentamento com responsabilidade pelo valor da decisão.

“A tese que nos serviu de ponto de partida: ser pessoa é ser livre e ser responsável”. Viktor Frankl

*O termo “noético” deriva da palavra grega nous que significa “espiritual” e é utilizado no lugar desta para evitar conotações religiosas.

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Este artigo foi escrito pelo nosso diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, e também coordenador do grupo de pesquisa “O vazio existencial na contemporaneidade e as possibilidades de realizar sentido” do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação de São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

Sobre os Desafios da Educação Contemporânea

Quando Viktor  Frankl aborda a liberdade, sempre faz referência à correspondente responsabilidade. Nesse artigo você encontrará importantes reflexões “sobre os desafios da educação contemporânea” no que diz respeito à responsabilidade dos pais em relação à educação dos filhos. Certa vez indagado, Frankl respondeu que “na Logoterapia o paciente (…) precisa ouvir certas coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de se ouvir”. Aceita o desafio?

“Existe um premente chamado para tomada de consciência por parte dos pais e mães da necessidade de acompanhar os seus filhos e da necessidade de se responsabilizar por essa criança ou por esse jovem. O que percebemos é que muitas famílias que não o fazem, ou estão sem referencial sobre o que deve ser feito ou não sabem como deve ser feito – por vezes até sem motivação para o fazer. Contudo, se pais e mães não educam, quem educará?”

Observo repetidas vezes situações que me levam a refletir… Pais e mães limitando sua participação na vida dos filhos, chegando quase a se autoexcluir. São pais e mães, é inegável, mas quase nunca estão lá. Delegam suas tarefas às babas, empregadas, avós e avôs e, algum tempo depois, delegam à escola a tarefa de educar. Parece-me que algo está fora de sintonia quando por alguma ou várias razões, pais e mães não desempenham seus papéis, não assumem sua responsabilidade, não dedicam tempo aos filhos, não cuidam da alimentação, do banho, do sono, da higiene, do brincar – ah! o brincar, fundamental! E não acompanham a lição de casa.

Quanto mais reflito, mais me questiono, por que será que tantas famílias agem dessa forma, assumindo apenas parcialmente a responsabilidade por seus filhos? A terceirização da educação dos filhos é o grande drama das famílias contemporâneas.

E nisso, leio uma reportagem sobre a mensagem do Papa Francisco durante a catequese aos peregrinos, na Praça São Pedro em 20 de maio de 2015, que realmente sustentou minhas reflexões sobre isso.

Segundo o Papa, há dois elementos essenciais da educação dos filhos: a sabedoria e o equilíbrio. Ele convida as famílias a retomar seu papel ativo: “Quando a educação familiar redescobre o contentamento de seu protagonismo, muitas coisas mudam para melhor para os pais incertos e desiludidos. Chegou a hora que os pais e as mães saiam de seu ‘exílio’ e reassumam plenamente o seu papel educativo.” Ainda alerta para a necessidade dos pais saberem acompanhar os filhos passo a passo e não exigirem que percorram o caminho do crescimento sozinhos.

Viktor Frankl nos ensina que para o ser humano, o mais importante não é a liberdade “de algo”, mas a liberdade “para algo”. Não é suficiente livrar-se dos obstáculos, deveres e compromissos, para ao final recair no vazio existencial. O importante é transformar a vida em algo que tenha sentido.

Existe um premente chamado para tomada de consciência por parte dos pais e mães da necessidade de acompanhar os seus filhos e da necessidade de se responsabilizar por essa criança ou por esse jovem. O que percebemos é que muitas famílias que não o fazem, ou estão sem referencial sobre o que deve ser feito ou não sabem como deve ser feito – por vezes até sem motivação para o fazer. Contudo, se pais e mães não educam, quem educará?

E o que significa reassumir plenamente o papel educativo paterno e materno? Qual é o papel educativo da família? A família contemporânea modificou-se, assumiu novos padrões. Ao mesmo tempo, como já foi dito, ficou sem referencial sobre o que deve ser feito e como fazer, perdendo-se na multiplicidade e descentramento da cultura pós-moderna. A

CULTURA PÓS-MODERNA E O DESCENTRAMENTO

Considero cultura pós-moderna como uma condição peculiar da cultura contemporânea, que principia no início da década de 70 do século XX, como uma consequência de profundas e irreversíveis transformações sociais. É também caracterizada pela presença de múltiplas redes, com signos e significados diversos, provisórios, incomensuráveis e alternativos. A cultura pós-moderna também tem expressão como condição existencial, pelo descentramento, pelo niilismo e pela expressão do desencanto. O tempo na cultura pós-moderna é o tempo instantâneo, imediato, do sempre jovem; num tipo de vida que nas cidades ocidentais contemporâneas é caracterizado pelo ativismo frenético. O que, em última instância, dificulta unir o passado e o presente ao futuro, bem como tomar consciência da própria biografia, da própria história.

Elisabeth Lukas aponta para as consequências críticas da descentralização da família, afirmando que a família nuclear está desintegrando e a vida familiar se tornou insuportável para muitas pessoas, perdendo seu sentido. O ser humano moderno obteve progresso e muitas vantagens, “libertação dos velhos costumes” e bens materiais, mas atingiu a felicidade que almejava?

Ainda parafraseando Lukas, ao considerarmos o aspecto do sentido da vida, o simples “ter” não garante um estado de “ser” pleno de sentido.

O OLHAR DA LOGOTERAPIA SOBRE A EDUCAÇÃO

Perante esse cenário busco o olhar da Logoterapia a respeito da educação. Educar é afinar a consciência. A educação logoterapêutica tem como fim o desenvolvimento da capacidade de tomar decisões independentes e autênticas, a partir de valores pessoais, pois parte do pressuposto que o ser humano tem em seu âmago a liberdade da vontade, a vontade de sentido e o sentido da vida. Assim, é papel da educação despertar e conduzir o ser humano a responder por si mesmo de forma criativa e concreta, de maneira que possa decidir e agir com responsabilidade perante todos os desafios que a vida lhe trouxer.

Se a infância é uma fase temporária, pré-requisito para a fase da vida adulta, se a criança é um ser em desenvolvimento, por que tanta dificuldade em efetivamente assumir esse papel na educação e prepará-los?

Então, surge outra pergunta: essa família a quem o Papa Francisco convida a reassumir seu protagonismo na educação dos filhos, proporciona a crianças e jovens o afinar da consciência e o despertar da responsabilidade que a Logoterapia propõe?

Enumero alguns fatores que possivelmente estão aumentando a dificuldade de pais e mães a assumirem plenamente o seu papel de educar:

1. crença absoluta que temos o direito de ser feliz,

2. falta de limites,

3. falta de diálogo genuíno,

4. ambição e consumismo,

5. delegação da educação para a escola.

Com a crença absoluta de que temos o direito de ser feliz, a qualquer preço e com quaisquer consequências, chegamos ao ponto nevrálgico, a geração do “eu mereço”, jovens que acreditam que a “felicidade” é um direito adquirido. Grande parte desta última geração, composta por jovens que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, são academicamente preparados, tem farto acesso a toda tecnologia, tem a ilusão de que a vida é fácil, possuem muitas habilidades e competências, mas não aprenderam a lidar com as dificuldades da vida, a tolerar frustrações e decepções.

Acreditam os jovens que é possível desfrutar de um lugar no mundo sem dedicação e esforço, e principalmente, acreditam que é possível viver sem sofrer. Não foram ensinados a lidar com o sofrimento, o conflito, a perda e a finitude – sim, são crentes no mito da eterna juventude e da total felicidade do Facebook. Para ajudá-los, é preciso ensiná-los a falhar, a criar a partir das dificuldades.

Novamente citando Lukas, a Logoterapia ensina que não é o bem-estar exterior que nos traz automaticamente o bem-estar interior, mas o critério decisivo para a satisfação interior do ser humano é a sua atitude interior perante as condições externas, positivas ou negativas.

A pedagoga e escritora Eloisa Miguez afirma que educar é promover a experiência de “oferecer algo de si” ao mundo ou ao outro, é educar para a criatividade, para a convivência, cooperação, solidariedade, ajuda mútua e sensibilização para perceber a relação entre o mundo do valor e da cultura.

Sobre a falta de limites, regras e valores, é constante a omissão familiar, muitas vezes é feita a opção pelo mais fácil, para não gerar atritos ou estresse dentro de um modo de vida já tão estressante.

O PAPEL DA AUTORIDADE

Há uma necessidade premente de mudança nas relações entre pais e filhos, reaprender a negociar com os filhos mantendo a autoridade. Mas a palavra autoridade soa como algo terrível! É natural que tenhamos essa má impressão da palavra quando entendemos que nas últimas três ou quadro décadas a sociedade foi se reorganizando de maneira que a questão da hierarquia foi sendo alterada. E hoje, a organização social está constituída como rede, o que acentua as dificuldades para estabelecer limites.

Até algumas décadas atrás, a família assumia o papel de transmissora de valores e regras, hoje o papel da família é compreendido como o de transmitir segurança, conforto e afeto. Nesta organização social constituída como rede não existe mais lugar diferenciado para a autoridade, não há poder legitimado, sequer o poder familiar, de pais e mães. Então, como trabalhar a questão de limites? Limites claros e compreensíveis, aplicados de forma coerente e firme, permitem que as crianças se desenvolvam sentindo-se seguras e protegidas. Quando as famílias não conseguem trabalhar a questão dos limites, a questão da responsabilidade perante aquilo que se escolhe, perante as decisões, deparamo-nos com a crescente dificuldade de lidar com a frustração. Em algum momento da vida haverá frustração e a Logoterapia nos ajuda a lidar com os conflitos, dificuldades, perdas, falhas, culpa. A Logoterapia diz que, em sua essência, o ser humano é um ser livre – se não livre “de”, livre “para”, livre para escolher que atitude tomar perante as situações que se lhe apresentam. É por isso importante trabalhar com os limites, aprender a dizer não aos filhos quando necessário: como ensina o professor e psicólogo Alejandro De Barbieri, educar sem culpa!

Viktor Frankl deixa claro qual o papel da educação à luz da Logoterapia: “Vivemos na era da sensação da falta de sentido. Nesta nossa época a educação deve procurar não só transmitir conhecimento, mas também aguçar a consciência, para que a pessoa receba uma percepção suficientemente apurada, que capte a exigência inerente a cada situação individual. Numa época em que os 10 mandamentos parecem perder sua validade para tantas pessoas, o ser humano precisa ser capacitado a captar os 10.000 mandamentos que se ocultam de forma cifrada em 10.000 situações com as quais se confronta na vida. De uma forma ou de outra, mais do que nunca a educação é educação para a responsabilidade.”

EDUCAR PARA A RESPONSABILIDADE

Faz parte da educação para a responsabilidade o aprendizado do diálogo genuíno. Quando essa prática não está presente, não há espaço para falar das emoções. E se os pais não ajudarem seus filhos a identificar e lidar com essas emoções, quem o fará? É necessário falar dos medos e da tristeza. – Mas, se a “felicidade” é um direito adquirido e somos todos felizes, jovens e bem-sucedidos, como falar dos problemas, dos sofrimentos, das dúvidas e dos temores? Como bem apresentado no filme Divertida Mente (2015), é importante aprender a lidar com todas as emoções, alegria, raiva e tristeza, e o quanto tudo isso pode ser curativo e transformador, lidar com esses sentimentos. Um momento de crise está repleto de possibilidades para encontrar sentido.

Ao retomar a prática do diálogo genuíno, conversando sobre tudo, trocando ideias, negociando possibilidades, estabelecendo limites e responsabilidades – como consequência da sociedade em rede – e reaprendendo a negociar com os filhos, a decisão final e a responsabilidade das escolhas são dos pais. Educar significa mobilizar a capacidade de decisão responsável.

A respeito de ambição e consumismo surge o louvável argumento de que os pais trabalham demais para dar uma vida “melhor” aos filhos. Mas melhor sobre qual ponto de vista? Material? Então, só isto basta? Esse argumento justifica muitas vezes o fato dos pais quase nunca estarem presentes, e para compensar a ausência constante, tanto física quanto emocional, utilizam dinheiro e presentes como moeda de troca. Sob esta perspectiva, o consumismo é muito útil. Entretanto, essa atitude – resolver as questões dos relacionamentos e vínculos familiares a partir do aspecto financeiro – transmite aos filhos a noção equivocada de que dinheiro substitui responsabilidade, e, que ter dinheiro e pagar a alguém para responsabilizar-se é suficiente. Como diz o filósofo e escritor Sergio Sinay – “Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado”.

Os filhos passam a fazer exigências cada vez maiores, até mesmo de coisas materiais, e os pais acatam, pois são as necessidades materiais as mais fáceis de atender. Centrados nos objetos de consumo, as famílias criam uma rede sem sustentação, de forma que a angústia do vazio existencial está sempre presente e, a convivência supérflua não estabelece os vínculos necessários para que se vivencie os valores de experiência.

Esse vazio existencial, é aquele que Frankl descrevia afirmando que vivemos na era da sensação da falta de sentido, uma época na qual, principalmente nos países industrializados e nas sociedades abastadas, um número cada vez maior de pessoas possui recursos para viver, mas não de um significado para o qual viver. Mais do que nunca a educação necessita ser educação para a responsabilidade, promover a capacidade de tomar decisões autênticas e independentes, de ser seletivo, aprender a distinguir o que é essencial do que não é, o que tem sentido do que não tem.

OS PAIS, A ESCOLA E… AS CRIANÇAS

Ao longo dos anos, com tantas mudanças na organização social, a família foi gradativamente delegando para a escola a tarefa de educar, formar e socializar, porém essa situação já não se sustenta mais. A família é elemento indispensável para a educação e formação no âmbito pessoal. Elisabeth Lukas diz que a família é “o centro gravitacional do amor”, que ela constitui o centro da vida.

Voltamos a questão da responsabilidade, pois delegar é renunciar à responsabilidade pelos resultados.

Como nos lembra Alejandro De Barbieri, os pais são os que devem educar, a escola pode educar como segunda instância, não como primeira. Gostemos ou não, o fato é que, na família se educa emocionalmente e na escola se transmite conhecimentos, a educação formal.

Assim, é importante pensar sobre a questão formativa dos adultos, dos pais e mães, que tem a responsabilidade de educar, ou seja, a concomitante “educação dos pais” trará resultados mais efetivos do que apenas trabalhar a “educação dos filhos”.

O filósofo e escritor Fernando Savater atribui ao “ fanatismo pela juventude” a causa de que agora os pais já não exercem o papel de formadores, senão tentam ser amigos de seus filhos; e este fato, diz o autor, é uma das causas da família como núcleo social ter-se tornado tão informal. Porém, para que uma família funcione adequadamente, é indispensável que alguém nela decida e seja adulto. A vida em família precisa ser valorizada novamente, a experiência da paternidade e da maternidade novamente ser percebida através de seu sentido existencial. Reassumam o protagonismo na educação dos filhos, conclama o Papa Francisco!

É em família que se aprende a conviver com limites e frustrações, a refletir sobre as consequências positivas e negativas de escolhas e atitudes, os filhos precisam da presença constante dos pais, da orientação amorosa e firme para desenvolver uma efetiva capacidade de tomada de decisão responsável.

Parece-me que o mais importante é relembrar o compromisso assumido e ajudar os pais a ampliarem seu campo de visão e despertar para sua responsabilidade de educar os filhos, da urgência em agir e participar amorosamente dessa tarefa.

“Se quisermos estender uma ponte de pessoa a pessoa – e isto é válido também para uma ponte de conhecimento e compreensão – as cabeças da ponte não devem ser precisamente as cabeças, mas os corações”.

Viktor Frankl

Crédito: Foto de Andrea Piacquadio no Pexels


Este artigo foi escrito pela nossa diretora educacional, Simone Guedes, que é pedagoga, especialista em RH e Logoterapia e coordena os estudos e programas de desenvolvimento humano na Núcleo de Logoterapia Agir Três.

O sentido da vida em tempos difíceis

Tempos extremos, como este que vivemos na atualidade, colocam nossa liberdade em questão. Quando a sobrevivência se torna um imperativo, há uma série de imposições externas e internas que impactam nosso modo de operar e de nos relacionar. A pandemia da COVID-19 nos fez instaurar novas medidas no dia a dia: preventivas, como o isolamento físico e procedimentos de higiene para evitar contágio e transmissão; de manutenção, como dos serviços básicos e de abastecimento; e também medidas emergenciais, como a atuação de profissionais de saúde, da área social e de pesquisa, na linha de frente de combate ao vírus. Somando a esse contexto complexo, enfrentamos uma grave crise econômica, que tem gerado desemprego e reduções orçamentárias drásticas. Tudo isso e ainda lidando com a preocupação, o sofrimento e o medo de um inimigo invisível aos nossos olhos.

Imersos neste cenário, podemos nos questionar: “é possível ser livre em tempos de isolamento?”, “como posso ser livre se estou enfrentando diariamente um vírus que pode ser muito grave e letal?” e “será que vou sobreviver à pandemia?” – questões que colocam, em seu centro, não a nossa, mas liberdade do vírus. No fundo, queremos nos ver livres logo desse inimigo externo que nos privou do mundo como o conhecíamos, que trouxe perdas e nos fez encarar nossa própria finitude. Então, a pergunta que é pano de fundo para as anteriores é: “qual o sentido desse sofrimento todo?”.

É essa falta de sentido no sofrimento que nos frustra, vulnerabiliza e fragiliza, a ponto de gerar ansiedade, estresse crônico, melancolia, irritabilidade, neuroses, fadiga mental e emocional e até vazio existencial. E sem dúvida isso afeta toda a nossa forma de ser e de nos relacionar: há pessoas sofrendo extrema pressão do trabalho (seja home office ou in loco, seja pelo excesso ou pela impossibilidade de trabalhar), há pessoas enfrentando solidão, outras cansaço, dificuldades e estresse na convivência privada (com familiares, parceiros e até problemas de violência doméstica). Não é à toa que, assim como hospitais, centros de atendimento psicológico e psicoterapêutico também estão lidando com o aumento exponencial de pessoas que precisam de apoio para lidar com questões psicoemocionais em meio à pandemia. A Federação Internacional da Cruz Vermelha, inclusive, publicou orientação provisória para profissionais e voluntários de primeiros cuidados psicológicos remotos durante o surto de COVID-19.

Mas o que sentido de vida tem a ver com liberdade? Buscar sentido na vida, mesmo em situação de sofrimento, é um caminho para a liberdade, segundo a cosmovisão de Viktor Frankl, médico vienense, sobrevivente de campo de concentração, que criou (e vivenciou) a Logoterapia. O exemplo do que ele enfrentou e, sobretudo, de como experienciou essa situação extrema pode nos trazer pistas de como lidar com o momento atual.

Em seu livro Em Busca de Sentido, onde narra o que viveu no campo de concentração, Frankl aborda o conceito de liberdade interior, trazendo como pergunta orientadora algo semelhante ao que levantamos acima: “Onde fica a liberdade humana?” (Frankl, 2008, p. 88); e discorre sobre a possibilidade de agir “fora do esquema” (no caso, o dos campos de extermínio), de pessoas que foram capazes, apesar das circunstâncias e condições degradantes, de não sucumbir à apatia, irritação, à sujeição do dominador ou perda de vitalidade:

no campo de concentração se pode privar a pessoa de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas. E havia uma alternativa! (Frankl, 2008, p. 89)

Ressalvadas as devidas diferenças, essa liberdade como atitude também é hoje uma chave para lidar com a pandemia, inclusive como um fator de preservação de saúde e manutenção da vitalidade humana. Não se trata de se livrar do que faz sofrer, mas de agir nessa situação, lidar com o sofrimento, compreendendo que também nele há possibilidades de sentido. Na experiência de vida dele nos campos de concentração, enquanto alguns se perguntavam se sobreviveriam àquela realidade, Frankl se questionava sobre o sentido do sofrimento e da morte, como parte da vida e da existência humana, afinal:

Uma vida cujo sentido depende exclusivamente de se escapar com ela ou não e, portanto, das boas graças de semelhante acaso – uma vida dessas nem valeria a pena ser vivida. (Frankl, 2008, p. 91)

Uma vida com sentido é esta em que se tem liberdade de escolha de atitude diante do que ela espera de nós, enfrentando com responsabilidade as decisões tomadas. Para Frankl, a liberdade só é possível com responsabilidade. Para ele, “ser pessoa é ser livre e ser responsável”, e a liberdade está em realizar essa busca de sentido na vida, encontrar o “para que viver” de cada ser único e irrepetível que somos. Tempos difíceis, de sofrimento, nos colocam no enfrentamento direto com questões sobre o sentido de vida. Por isso, é fundamental compreender que sempre há uma decisão interior possível diante de uma situação extrema – e que é essa decisão (que pode ir da vitimização à manutenção da dignidade e humanidade) que vai conduzir ao tipo de transformação que podemos vivenciar nessa situação.

É adotando uma atitude humanizadora, de manutenção de sua dignidade, inclusive em situação de sofrimento, que o ser humano se põe em busca do seu sentido na vida. O sentido, para a Logoterapia, está na possibilidade de o ser humano encarar os sentidos que está para realizar, valores a realizar. Posto isso, é viver num campo polar de tensão estabelecida entre a realidade e os ideais por materializar. O sentido deve ser descoberto, ele não pode ser dado.

Então, que caminhos existem para encontrar esse sentido? Frankl aponta a vivência de valores de criação, a liberdade espiritual (sem atribuição dogmática ou religiosa) e a experiência com o que é belo, da natureza e da arte. Bebendo da mesma fonte, o escritor búlgaro Todorov reforça esses elementos, em seu livro Diante do Extremo, nomeando-os como exercício da vontade, cuidado de si (cuidar-se, nutrir-se, respeitar-se em primeiro lugar) e atividades do espírito (busca da beleza e da verdade).

Através desse exercício da liberdade com responsabilidade, é possível identificar o sentido daquilo que a vida apresenta no momento (especialmente em tempos em que nossos prazeres são reduzidos), mobilizar recursos internos, despertar nossa consciência e encontrar o sentido e o significado de nossa existência, para transcender o sofrimento e seguir em frente.

Referências bibliográficas

FRANKL, V. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Trad. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 25 ed. Petrópolis: Vozes, 2008

INTERNATIONAL FEDERATION OF RED CROSS AND RED CRESCENT SOCIETIES. Primeiros cuidados psicológicos, remotos, durante o surto de COVID-19. Mar. 20. 13p

TODOROV, T. Diante do extremo. Trad. Nícia Adan Bonatti. São Paulo: Ed. Unesp, 2017

Imagem: montagem sobre original de francescoch/iStockPhoto


Este artigo foi escrito pelo nosso diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, que é o coordenador do grupo de pesquisa “O vazio existencial na contemporaneidade e as possibilidades de realizar sentido” do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação de São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

O artigo foi publicado originalmente no site da Off Lattes que é o canal de divulgação da produção dos grupos de pesquisas do  Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – Labô

Precisamos falar sobre isso…

Quando o racismo salta aos olhos

Nas últimas semanas, nossos olhos e afetos têm sido impactados pelas notícias estarrecedoras de mortes de negros, incluindo crianças, como os casos dos meninos Miguel (em Recife) e Guilherme (em São Paulo). Mesmo com inúmeros casos assombrosos de vidas interrompidas aqui no nosso território natal, o estopim que trouxe o tema do racismo para a arena da discussão foi o caso do assassinato à luz do dia do afro-americano George Floyd, numa abordagem policial abusiva registrada em vídeo pelo celular de uma adolescente. A partir desse evento, a voz do movimento antirracista Black Lives Matter foi amplificada por uma série de protestos nos Estados Unidos, viralizando com a repercussão dos quadrados pretos nas redes sociais no mundo todo, que furou bolhas também em nosso país. O que temos visto como desdobramento desde então são discussões fundamentais sobre a pauta do racismo estrutural, branquitude, antirracismo, entre outras – algo inédito, na minha perspectiva pessoal.

Como brasileiro e negro, é a primeira vez que percebo um incômodo diferente no olhar de quem se deparou agora com o racismo estrutural que se manifesta há anos, de forma mais abrasiva em casos sinistros como os anteriores, em nossas frias estatísticas de desigualdade racial e também em nosso cotidiano, em formas capciosas de preconceito travestidas em humor, em condutas, falas e expressões. Como psicólogo e professor negro, busco olhar esta atual tomada de consciência desse tema de forma reflexiva e otimista, propondo aqui também minha voz, pela primeira vez expressando de forma pública minha opinião sobre o racismo.

Diante da força dos fatos que nos têm atravessado (e traumatizado), especialmente nestes tempos de pandemia, que têm exposto nossas maiores feridas públicas e privadas, chega o tempo em que precisamos falar sobre isso.

Precisamos falar sobre os episódios de violência (física, econômica ou simbólica) e discriminação que todos nós, negros, vivemos e que geralmente ficam guardados no nosso íntimo ou em nosso núcleo de confiança. Precisamos falar sobre a invisibilidade e o silenciamento que negros sofrem nesse país, reflexo de mais de 350 anos de escravidão que os últimos 130 anos desde a abolição jurídica ainda não conseguiram reparar. Precisamos falar que hoje, segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE), pretos e pardos somam 56,4% da população brasileira, isto é, a maioria. Precisamos falar e dialogar a fim de cultivar uma nova cultura onde negros consigam respirar, ser vistos e ouvidos, por meio de projetos possíveis e reais em nossa sociedade, incluindo todas as raças e cores que a compõem.

Quando o racismo salta aos olhos, mas as pessoas se calam, o silêncio reforça a estrutura do preconceito por meio da manutenção do não saber e do tabu dos “assuntos sensíveis”. O que minha prática clínica de 30 anos em atendimento psicoterapêutico, e desde 2000 como logoterapeuta, me revela é que falar sobre temas que geram sofrimento e buscar sentido mesmo nas dores mais profundas é caminho viável para enfrentar as dificuldades que a vida impõe nas condições que se apresentam. Frankl nomeia as dificuldades fundamentais da vida como tríade trágica – perdas, falhas e finitude (ou sofrimento, culpa e morte). Essa tríade que o médico vienense viveu num período intenso de sua vida nos campos de concentração nazista, e que certamente gerou impactos profundos em sua existência, acaba se transformando em tridente que fere há centenas de anos quem traz na cor da pele o registro de um povo que teve sua humanidade sequestrada pela escravidão, por meio da privação do uso da própria linguagem, da liberdade de seu corpo e da memória de sua história e cultura. Dadas as proporções e as diferenças destes holocaustos (o massacre de judeus e minorias no regime nazista da Segunda Guerra Mundial e o de negros nas Américas coloniais que perdura até os dias atuais), há elementos da obra de Frankl que me movem a não me posicionar como vítima das circunstâncias que se impõem e me ajudam a extrair uma saída possível para essa tragédia – o que ele chama de otimismo trágico. Quando ele afirma que:

“Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas, o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte. Aflição e morte fazem parte da existência como um todo.”
(Viktor Frankl, 2008, p. 90)

Ele não diminui o tamanho do sofrimento, nem propõe a imposição de um pensamento perverso de negação dessa dor ou sua aceitação passiva. Pelo contrário, ele propõe atitudes de dignidade, coragem e valor diante de um sofrimento inevitável (como é o caso do racismo hoje). A proposta de liberdade interna na situação de sofrimento certamente exige muito de nós, mas nos convoca a “assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas” e a entrever perspectiva de futuro.

Se os tempos atuais fizeram finalmente o racismo saltar aos olhos é porque há também possibilidades concretas de mudança dessa cultura. É tempo de cada um, do seu lugar de fala e atuação, refletir e agir com sua contribuição legítima e mais efetiva possível: seja na linha de frente da luta, seja na manutenção ou na mudança de hábitos, linguagem e escolhas no dia a dia. Do meu lugar como psicólogo, professor e pessoa, sigo propondo espaços de diálogo, acolhida e reflexão em prol de uma cultura em que possamos ver seres humanos antes da raça ou da cor, o que Frankl nomeia como monantropismo (“o saber em torno da unidade da humanidade, uma unidade que ultrapassa todas as diversidades, quer as da cor da pele, quer as da cor dos partidos.” (Frankl, 2010)) – e o que foi evidenciado como possível na fala de Patrick Hutchinson, personal trainer que impediu que outro homem fosse espancado nos protestos antirracistas em Londres, em 15 de junho (na foto, o homem negro é o personal carregando um homem branco desconhecido em seus ombros, salvando-o do pisoteamento). “Tinha um ser humano no chão, e vi que aquilo não ia acabar bem. Agachei e o carreguei nos ombros como fazem os bombeiros” – disse Hutchinson.

Acredito que é preciso falar do que estamos vendo. Porque a fala das dores, dos sofrimentos, e também dos lampejos de consciência que vemos acendendo nos olhos das pessoas e nas lentes da mídia, revela que é possível fazer-se visível aos olhos que estavam cegos para nossas questões raciais, afinal:

Quando é que o olho é capaz de enxergar-se, se prescindirmos do espelho? Somente quando está afetado de catarata. […] Sempre que puder olhar para si mesmo, será porque está com a capacidade visual prejudicada. (Frankl, 2012, p. 20)

Referências bibliográficas

FRANKL, V. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Trad. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 25 ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

FRANKL, V. Logoterapia e Análise Existencial. São Paulo: Forense Universitária, 2012.

FRANKL, V. Psicoterapia e Sentido da Vida – Fundamentos da Logoterapia e Analise Existencial. São Paulo: Quadrante, 2010 – p.28.

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2020. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6403>. Acesso em: 14/6/20.

PINTO, Ana Estela de Sousa. “Só pensei em tirá-lo dali”, diz ativista negro que salvou branco de ser espancado. jun. 2020. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/06/so-pensei-em-tira-lo-dali-diz-ativista-negro-que-salvou-branco-de-ser-espancado.shtml

Imagem: Heraldo Galan


Este artigo foi escrito pelo nosso diretor diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, que é o coordenador do grupo de pesquisa “O vazio existencial na contemporaneidade e as possibilidades de realizar sentido” do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação de São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

O artigo foi publicado originalmente no site da Off Lattes que é o canal de divulgação da produção dos grupos de pesquisas do  Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – Labô

Humor: uma vacina de prevenção do sentido

Quantas vezes você sorriu hoje?

Talvez você leia essa pergunta e automaticamente torça o nariz, julgando que virá um texto motivacional ou dica para manter a positividade em tempos difíceis. Talvez você se lembre de que não tem sorrido muito ultimamente, por não estar vendo graça nas questões de saúde pública, nem na política ou nas notícias catastróficas que chegam até seus ouvidos e olhos – e não tem graça mesmo. Mas pode ser que essa questão te convide a se inquietar com a diminuição ou a falta de sorrisos no seu dia a dia; e a refletir se “sorrir” não tem sido constante porque você não tem tido motivo para tal ou por não ter buscado esse estímulo.

Um simples sorriso é capaz de provocar uma resposta imunológica do nosso organismo, liberando neurotransmissores, reduzindo pressão arterial, relaxando tensões e dores físicas e emocionais. Mesmo um sorriso induzido, ou seja, sem um motivo aparente, já produz esses efeitos. Sorrir é como uma vacina que estimula nosso organismo a produzir humor, desenvolvendo uma “memória imunológica” que nos predispõe à alegria e ao bem-estar. Não se trata de manter a positividade a qualquer custo, mas de entender a questão do humor como fator preventivo psicoemocional – um fator de autopreservação importante e acessível a todos.

Trago aqui a perspectiva do humor para a Logoterapia, de Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco que usou desse recurso para atravessar a experiência extrema que viveu no contexto da Segunda Guerra Mundial, em campos de concentração. Esse tema é tão relevante que, em seu livro autobiográfico mais conhecido, Em busca de sentido, há um capítulo dedicado à vivência do humor naquele ambiente. Nessa obra, conta que combinou com um colega de campo, cirurgião de profissão, de criar pelo menos uma piada por dia, fazendo referência não só ao presente difícil que estavam sentindo na pele, mas especialmente a um cenário imaginário futuro, relacionado à prática médica compartilhada por ambos. O contraste de percepções entre o que é terrível e o que é engraçado é expressão da capacidade do ser humano de relativizar o sofrimento e, portanto, de ressignificá-lo:

A vontade de humor – a tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada – constitui um truque útil para a arte de viver. A possibilidade de optar por viver a vida como uma arte, mesmo em pleno campo de concentração, é dada pelo fato de a vida ali ser muito rica em contrastes. E efeitos contrastantes, por sua vez, pressupõem certa relatividade de todo sofrimento.” (Frankl, 2008, p. 63).

O humor, entendido como estado afetivo com efeitos positivos, como riso e alívio, remonta à teoria do século 19, como a visão de Freud sobre uso do humor como resposta à censura. Além dessa fonte, Frankl também bebe dos clássicos, como Aristóteles, que aponta a forma da piada, dos trocadilhos e da zombaria como resultado da visão de superioridade de um indivíduo em relação a algo, alguma situação ou alguém. Tanto assim que ele indica o humor como “arma da alma” mais eficaz para “criar distância e permitir que a pessoa se coloque acima da situação, mesmo que somente por alguns segundos” (Ibidem, p. 62).

Trata-se de uma habilidade que envolve alguns movimentos internos (esforços psíquicos) e que, muitas vezes, é banalizada como besteira, perda de tempo ou que carece de inteligência e sentido. A psicologia, especialmente a visão logoterapêutica, mostra que é justamente o contrário disso. Tanto a percepção quanto a criação de algo que tem graça envolvem algumas habilidades, como distanciamento de si e do problema vivido, aceitação do que se apresenta, criatividade e senso crítico.

O humor também é um recurso terapêutico quando fortalece relações por meio de identificação entre pessoas que compartilham da mesma situação. Na experiência de Frankl, diante do sofrimento inevitável e da condição limitada nos campos de concentração, para todos os prisioneiros, o humor se tornou um dos únicos remédios disponíveis. Na prática clínica, recebo pacientes que enfrentam situações-limite de falta de sentido na vida, por múltiplos motivos, entre eles luto, doenças, estresse traumático, e, nestes tempos, também por efeito da pandemia. É nesse espaço que observo a ação do humor e experimento seu potencial de promover grandes mudanças. Isso porque esse recurso tem a capacidade de manter o indivíduo no tempo presente, sem negacionismo (ou seja, sem fingir que não está acontecendo o que de fato está, no caso, produzindo sofrimento) e, ao mesmo tempo, sem tentar combater de forma autodestrutiva uma situação que não pode mudar. Move o indivíduo, portanto, do lugar da indiferença e do combate em relação à situação de sofrimento e o coloca, mesmo que temporariamente, num lugar de alegria, otimismo, leveza. E, nesse estado, torna-se possível buscar sentido no que está ao alcance, para viver minimamente bem. Quando o humor ativa a alegria, é como se uma luz acendesse e conseguíssemos criar e nos conectar com nossa força para lidar com qualquer adversidade.

E o melhor de tudo é que o humor está disponível, ao alcance de todos – está nas pequenas alegrias. É o que a logoterapeuta Elisabeth Lukas nomeou como “enigma da pequena felicidade”:

“’Pequena’ porque a grande felicidade não nos compete. Não permanentemente. Não sem sedução. Não sem danos. Nossa espécie não se dá bem com ela, faz-lhe mal. […] A pequena felicidade, ao contrário, é de natureza calma e estável. Tem a ver com paz, harmonia e unidade entre aquele que a encontra e o objeto encontrado. Não é algo que move o mundo, move somente um coração.” (Lukas, 2012, p. 171-2)

O que move somente o seu coração hoje? O que te emociona? O que te faz sorrir? E gargalhar? Pequenas alegrias podem ser compartilhadas, mas o enigma a que Lukas se refere é esse encontro individual com as pequenas felicidades de cada um. É esse exercício contínuo que nos ajuda a viver na imprevisibilidade da vida, aceitando-a incondicionalmente, especialmente nos momentos em que nos sentimos impotentes diante dela.

O convite aqui é cultivar sua vacina de alegria no dia a dia, uma “injeção de ânimo” (como diz a expressão popular), neste período cinza que atravessamos juntos, à espera da vacina contra a Covid-19. Não se trata, porém, de se alienar com o humor, nem de diminuir a seriedade dos sofrimentos coletivos e individuais, mas de acessar nossa força, reavaliar nossos hábitos, agir a partir do que está ao seu alcance e preservar a saúde mental e emocional para que possamos sair desta experiência com otimismo. A “vacina” do humor e das pequenas alegrias é uma proposta logoterapêutica preventiva para a saúde, a partir da preservação do sentido da e na vida.

Referências bibliográficas

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Trad. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 25 ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

GOMES, Débora. Encontre o bom humor. Revista Vida Simples, 17 mar. 2019. Disponível em: https://vidasimples.co/ser/encontre-o-bom-humor/

LUKAS, E. Psicoterapia em Dignidade: orientação de vida baseada na busca de sentido de acordo com Viktor E. Frankl. Tradução de Helga H. Reinhold. – 1. ed. São Paulo – SP.

SILVEIRA, Daniel Rocha; MAHFOUD, Miguel. Contribuições de Viktor Emil Frankl ao conceito de resiliência. Estudos de Psicologia, Campinas, 25(4), p. 567-76, 2008.

Imagem: A Morte de Sócrates/Jacques-Louis David (1787)


Este artigo foi escrito pelo nosso diretor diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, que é o coordenador do grupo de pesquisa “O vazio existencial na contemporaneidade e as possibilidades de realizar sentido” do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação de São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

O artigo foi publicado originalmente no site da Off Lattes que é o canal de divulgação da produção dos grupos de pesquisas do  Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – Labô

A hora da escolha

Escolhemos o tempo todo – quando podemos. Fazemos escolhas que se tornam automáticas ou fáceis no dia a dia, como alimentação, higiene, vestuário, horários… Escolher dentro da rotina é como dançar ritmos diferentes com passos conhecidos. Mas e quando o passo muda? Ou, ainda, quando só toca a mesma música que você já se cansou de dançar? Como escolher?

Este ano, nosso ritmo foi bastante afetado por tudo o que envolveu a pandemia: isolamento social preventivo, diversos planos por água abaixo, rotinas pessoal e profissional desconstruídas, lutos… Nosso padrão de escolhas foi forçado a se adaptar, muitas vezes, a partir dos cenários que se apresentaram em nossas vidas, estressando nosso cérebro – que é naturalmente conservador –, buscando sempre conexões já conhecidas e tidas como certas. Mas, em tempos incertos, é inevitável nos depararmos com o desconhecido e o erro. Em momentos assim, encarar os momentos de escolha e, em seguida, as consequências da decisão, pode ser extremamente estressante.

Da prática clínica psicoterapêutica associada à pesquisa da obra de Viktor Frankl (1905-1997), destaco três pontos ligados ao dilema humano em relação às escolhas: a liberdade, o sofrimento e a responsabilidade. 

Afinal, somos livres para escolher? Que liberdade de escolha é possível? Frankl conduz a discussão sobre liberdade com a perspectiva do livre-arbítrio, indicando que:

O ser humano não é livre de condicionamentos, sejam eles de natureza biológica, psicológica ou sociológica. Mas ele é, e sempre permanece, livre para tomar uma posição diante de tais condicionamentos; ele sempre conserva sua liberdade para escolher sua atitude perante esses condicionamentos. (FRANKL, 2020, p. 23)

Acrescento a esse conceito o do psicólogo argentino Claudio García Pintos (2017, p. 135), que afirma que “a pessoa, sendo livre, é capaz de criar, é capaz de se criar. Portanto, o grande condicionante da pessoa é a sua liberdade e o exercício que faz dela”.

A Logoterapia, abordagem frankliana, tem nesta a sua primeira premissa: a liberdade da vontade. Um de seus princípios é de que somos livres, mesmo numa sociedade ou contexto que cerceia nossa escolha. A liberdade, para Frankl, é interna e, muitas vezes, fica pulsando, adormecida, querendo encontrar saída.

Foi essa qualidade de liberdade que o neuropsiquiatra experimentou como prisioneiro em campos de concentração entre 1942 e 1945. O que nos conduz ao segundo ponto ligado às escolhas: Frankl define liberdade em situação de extremo sofrimento, ou seja, quando é colocado diante de momentos de escolha de vida ou morte. E você há de concordar que nem todas as escolhas que precisamos fazer carregam essa gravidade real. No entanto, é comum, na contemporaneidade, notar o sofrimento presente nos momentos inevitáveis de escolhas, seja quando há muitas opções disponíveis, seja quando estas são restritas ou quase nulas. O núcleo do sofrimento, aponta Frankl, reside no sentimento de vazio existencial que acomete nossa sociedade desde o século passado:

Esse sentimento de vazio tornou-se, em nossos dias, uma neurose de massa. […] Se me perguntais como eu explico a gênese desse sentimento de vazio, só posso dizer que, ao contrário do animal, o homem não tem nenhum instinto que lhe diga o que tem de ser, e, a contrário do homem de tempos anteriores, não há mais uma tradição que lhe diga o que deve ser – e, aparentemente, não sabe sequer o que quer ser de verdade. Por conseguinte, ele só quer o que os outros fazem – e então nos encontramos diante do conformismo – ou, só faz o que os outros querem dele – e então nos encontramos diante do totalitarismo. (FRANKL, 2015, p. 107-8)

Um vazio que vai se tornando um abismo, quando observamos os fenômenos decorrentes do uso viciante de aparelhos e aplicativos que convocam nossa atenção a todo momento, e a forma como as redes sociais acabam “produtizando” seres humanos, via algoritmos que sequer temos conhecimento de como operam. E ali, naquele ambiente virtual, vão se potencializando as fantasias relacionadas ao “ter que”, ao “dever” e ao “querer ser”, pois há muitas narrativas disponíveis – geralmente, figurando sucesso – para espelhar a própria existência e, com isso, as próprias escolhas. Nesse contexto, o sofrimento existencial geralmente se expressa na pergunta “como escolher?”, mas seu núcleo reside antes nas questões do “o que escolher?” e do “para que escolher?”, as quais buscam encontrar o sentido do processo de decisão dentro da liberdade possível a cada ser único. 

Escassas ou abundantes, as opções de escolha podem ser fatores geradores de estresse e inquietação, pois envolvem investimento emocional e, também, cerebral (lembram que gostamos de caminhos neuronais conhecidos? Novidade é sempre estressante para nosso cérebro). Os tipos de escolha que geram mais aflição são os dilemas, isto é, quando há apenas duas alternativas e elas são contrárias entre si e nenhuma delas nos satisfaz totalmente. Como exemplo disso, podemos lembrar das eleições presidenciais de 2018, em que a maior porcentagem de eleitores encarou o dilema de não se ver contemplado e representado por nenhum dos candidatos – tendo dificuldades, inclusive, de se posicionar a favor ou contra num discurso polarizado (que ainda produz efeitos nos dias de hoje). O dilema parece uma rua sem saída, mas o fato é que as rotas viáveis não nos parecem satisfatórias, o que pode nos paralisar.

Em situação de dilema, costumo adotar a técnica frankliana de buscar um denominador comum com o paciente, isto é, reduzir os elementos até chegar a duas opções irrepetíveis ligadas a valores vivenciais (que Frankl define como a relação do indivíduo com os outros, com a arte e a natureza). Para chegar nessas alternativas únicas do campo do “ou”, é necessário apoiar o indivíduo a levar em consideração uma espécie de balanço, e lidar com consciência e maturidade com o que é escolhido e o que é perdido. E isso implica no terceiro ponto fundamental para escolher: a responsabilidade que inclui não só o “eu”, mas também o entorno que será atingido pela minha escolha.

Não se pode escolher tudo, nem qualquer coisa. “A liberdade pode degenerar em arbitrariedade, caso não seja vivida com responsabilidade.” (FRANKL, 2015, p. 110). É por isso que ser livre não é poder tudo, nem fazer todas as escolhas com vistas apenas ao benefício próprio ou de um núcleo afetivo próximo. O denominador comum é uma técnica que nos oferece um percurso para fazer uma escolha consciente, não pensando só no nosso umbigo. Colocam-se na balança os prós e os contras, incluindo a reflexão de quem são os envolvidos e os atingidos com essa escolha. Se isso vai trazer prejuízo para a maioria das pessoas e para o meio envolvido, é preciso criar condições de mitigação dos impactos negativos da escolha da vontade própria nesse contexto, ou realmente abrir mão do desejo individual em prol do coletivo. 

Quanto menos repara em si mesmo, quanto mais esquece a si mesmo, ao entregar-se a uma causa ou a outras pessoas, mais ele é o próprio homem, mais se realiza a si mesmo. Só o esquecimento de si conduz à sensibilidade e só a entrega de si amplia a criatividade. (FRANKL, 2015, p. 107)

O chamado à responsabilidade na hora da escolha é, talvez, o ponto mais importante desta nossa conversa aqui. Isso porque, enquanto humanidade, muitas vezes fomos condicionados (ou obrigados) a entregar nossa responsabilidade de escolha a outros – como governos, religião, sistema social e, agora, algoritmos. Mas mesmo sabendo que essa bagagem histórica, social e tecnológica influencia nossas decisões, como podemos escolher a partir de um lugar de autorresponsabilidade? Começando a pensar menos somente em nós e mais para além de nós; entender que a posição de não escolha (para não sofrer ou se desgastar no processo decisório) também é uma escolha que gera impactos; passar a ver-se como um ser que integra a coletividade e o meio ambiente, buscando não apenas escolhas que promovam o bem-estar próprio, mas também a boa convivência com o outro. 

Escolher implica fazer algo. É tão fantasioso dizer que não temos escolha alguma quanto dizer que podemos escolher o que quisermos – ambas construções de um mundo alienado. A liberdade de escolha com responsabilidade envolve reflexão, enfrentar determinismos e condicionamentos, pensamento crítico e maturidade. Muitas vezes, a hora da escolha será cansativa e pode gerar algum nível de sofrimento, mas só assim estaremos ativos na arena da vida, vivendo de verdade. 

Referências bibliográficas

FRANKL, Viktor E. O sofrimento de uma vida sem sentido: caminhos para encontrar a razão de viver. São Paulo: É Realizações, 2015.

FRANKL, Viktor E. Psicoterapia e Existencialismo. 1. ed. São Paulo: É Realizações, 2020.

GARCÍA PINTOS, Claudio. O mar me contou: a logoterapia aplicada ao dia a dia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2017.

Imagem: colagem/Heritage Library


Este artigo foi escrito pelo nosso diretor diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, que é o coordenador do grupo de pesquisa “O vazio existencial na contemporaneidade e as possibilidades de realizar sentido” do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação de São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

O artigo foi publicado originalmente no site da Off Lattes que é o canal de divulgação da produção dos grupos de pesquisas do  Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – Labô

AgirTrês divulga balanço do Programa #AgirParaCuidar

Arte com foto de um homem negro, que segura um tablet com as duas mãos. Ele está sentado. Há um retângulo verde com o texto: "Como foi o Programa #AgirParaCuidar". Na parte superior esquerda, há o logo do AgirTrês.

No início de abril de 2020, criamos o Programa #AgirParaCuidar com o objetivo de oferecer atendimento psicológico emergencial gratuito aos profissionais da área da saúde, impactados diretamente pela dinâmica da pandemia. Mobilizamos psicólogos parceiros do Núcleo de Logoterapia AgirTrês para que se engajassem como voluntários e fizéssemos um atendimento de qualidade. 

No início das nossas atividades, sabíamos que teríamos muitos desafios, mas tivemos que lidar com muitas situações inusitadas, além do que imaginávamos. Tivemos a colaboração de várias pessoas que conversaram conosco e indicaram manuais da Cruz Vermelha e da OMS. Foi uma fase de muito aprendizado e crescimento para todos nós que fizemos parte do Programa #AgirParaCuidar, em que tivemos que desenvolver novas habilidades e expertises. 

Ao todo, foram 80 dias do programa, atendemos quase 100 pessoas com aproximadamente 15 psicólogos voluntários em atuação e, ao término de projeto, identificamos um grande legado de aprendizado. Muitos voluntários relataram quão positivo e importante foi atender as pessoas que procuraram nossa equipe em busca do apoio psicológico emergencial. 

Recebemos também muitos feedbacks positivos dos profissionais de saúde, trazendo a relevância do programa na vida deles. 

Encerramos essa fase do programa #AgirParaCuidar porque o quadro mudou. Inicialmente existia um grande medo em tudo o que os profissionais da saúde relataram e o cenário agora é diferente. A maioria das estruturas médicas, clínicas e hospitalares se organizaram para oferecer estrutura para as suas equipes. Eles já têm protocolo, já sabem o que fazer. 

Saímos da situação de incógnita total. Entendemos que, naturalmente a solicitação aos nossos serviços por parte dos profissionais de saúde foi diminuindo porque a demanda para isso já não existe mais. Aos poucos, o medo foi mudando para uma questão de ansiedade do que virá pra frente. 

O que temos hoje é uma solicitação por atendimento psicológico emergencial por pessoas que não são da área da saúde. Então nós continuamos trabalhando com esse tipo de atendimento. Agora ele está voltado ao público em geral e se chama programa #Corrente do Bem. 

Para participar, inscreva-se no nosso formulário:  https://bit.ly/ATENDIMENTO_PSICOLÓGICO_EMERGENCIAL

AgirTrês realiza Jornada de Logoterapia sobre relações familiares

Muitas dinâmicas familiares foram impactadas nesses últimos meses e pensamos em formas de colaborar com esse contexto inusitado que estamos vivenciando. Então decidimos realizar um evento online: a Jornada de Logoterapia: as relações familiares em tempos de pandemia. O evento vai acontecer no sábado, dia 13 de junho, das 9h às 13h.

O nosso objetivo principal é  mostrar como a Logoterapia pode nos ajudar a melhorar as relações familiares em tempos de pandemia. Também buscamos  apoiar projetos sociais que direcionam cesta básica, kit de limpeza e higiene, kit máscaras, para famílias de comunidades de baixa renda de São Paulo.

A jornada vai contar com três palestras interessantes e provocativas! E um debate final entre os três palestrantes.

Teremos a participação de três psicólogos clínicos logoterapeutas com experiências diferenciadas: Ana Clara Dumont, Élison Santos e Maria Helena Budal, além da apresentação e mediação da Simone Guedes, nossa diretora educacional.

Além deles, a organização do encontro conta com a colaboração de duas ex-alunas do núcleo de Logoterapia AgirTrês, Myrian Tasso e Letícia Brandes, que estão como voluntárias para que tudo aconteça da melhor forma. 

Toda a renda do evento (após taxas e impostos deduzidos) será doada aos projetos sociais do Comitê de Apoio aos Refugiados do Grupo Mulheres do Brasil, para distribuição de cesta básica, kit de limpeza e higiene, kit máscaras, para famílias de comunidades carentes de São Paulo, valores dos ingressos entre R$60,00 e R$100,00.

PALESTRAS 

“Do amor ao amar” – Família e o sentido do amor em Viktor Frankl, com Élison Santos. Psicólogo Clínico Logoterapeuta; Diretor do Instituto Busca Sentido e Diretor do Conselho Internacional de Psicólogos. 

“Família – Lugar de cada um”, com Maria Helena Budal. Psicóloga Clínica Logoterapeuta, Professora da PUC-PR e Fundadora do Núcleo de Logoterapia de Curitiba.

“Comunicação: premissa para um verdadeiro encontro em família”, com Ana Clara Dumont. Psicóloga Clínica Logoterapeuta, clínica de adolescentes e adultos. 

Apresentação e mediação do debate: Simone Guedes 

Pedagoga, especialista em Logoterapia, Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Humano. Cofundadora e diretora educacional do Núcleo de Logoterapia AgirTrês, Coach Logoterapêutica, pesquisadora de SENTIDO DO TRABALHO.

INSCRIÇÕES 

Para participar da jornada, você pode colaborar com um valor entre R$ 60,00 e R$ 100,00. Ao todo, teremos três categorias de ingresso para você poder colaborar. As inscrições estarão disponíveis no dia 3/06 (quarta-feira). 

Inscrições pelo site Doity: https://doity.com.br/jornada-logoterapia 

Lembramos que 100% da renda do evento (após taxas e impostos deduzidos) será doada aos projetos sociais do Comitê de Apoio aos Refugiados do Grupo Mulheres do Brasil, para distribuição de cesta básica, kit de limpeza e higiene, kit máscaras, para famílias de comunidades carentes de São Paulo.

Grupo de Estudos Online para Iniciantes em Logoterapia – 2ª edição

Arte em tons verde e laranja com uma foto ao fundo de um caderno em cima do teclado de um laptop. Há o texto: "Grupo de estudos online para iniciantes em Logoterapia. Início no dia 5 de junho".

Você quer conhecer melhor a Logoterapia? Sente que chegou a hora? No dia 5 de junho, nós, do Núcleo de Logoterapia AgirTrês, vamos iniciar o Grupo de Estudos Online para Iniciantes em Logoterapia.

O objetivo é conhecer a proposta do Dr Viktor Frankl, o núcleo da sua teoria, estudando paralelamente sua vida e sua obra. Esta é a 2ª edição do grupo, que antes acontecia presencialmente. Neste ano, optamos pelo virtual devido à pandemia.

O grupo será conduzido por Simone Guedes e Francisco Carlos Gomes, fundadores do Núcleo de Logoterapia AgirTrês.

Abaixo, um vídeo com um convite da Simone falando um pouco sobre o grupo que vamos formar:

PRÉ-REQUISITO

O único pedido nosso é que tenha lido a obra “Em busca de Sentido” do Dr Frankl.

ONDE

Faremos os encontros via Plataforma ZOOM ou GOOGLE MEET.

QUANDO

Serão 8 encontros virtuais, uma 6ª feira por mês, das 18h às 20h, nas seguintes datas: 5 de junho, 3 de julho, 24 de julho, 21 de agosto, 18 de setembro, 23 de outubro, 6 de novembro, 4 de dezembro.

DINÂMICA DO GRUPO

A cada encontro, teremos um texto orientador, que será enviado com antecedência, para leitura prévia. Durante o encontro, iremos comentar, analisar, refletir, juntos, sobre os pontos focais evidenciados no texto.

INVESTIMENTO

Valor por encontro: R$120,00, sendo que 10% desse valor será revertido em colaboração aos projetos sociais que apoiamos no Núcleo de Logoterapia AgirTrês.

INSCRIÇÕES

Quer participar? Então envie mensagem por WhatsApp para Simone Guedes no número (11) 99299-0930. Ela vai contar mais sobre o grupo e tirar todas as suas dúvidas!

DEPOIMENTOS

“O tema é muito interessante e adorei conhecer melhor a Logoterapia, pois na faculdade de Psicologia não tinha visto, o que acredito ser uma falha.”
Miguel

“O que foi bom: achei importante estudar um pouco desse grande universo que é a logoterapia. Antes fui atraída e agora sinto que ‘despertou uma grande paixão’. Quero aprofundar para utilizar no meu cotidiano e num futuro próximo na psicologia clínica.” Ilza

SOBRE OS CONDUTORES

Francisco Carlos Gomes dos Santos
Psicólogo. CRP 06/38932
Mestre em Psicologia Social pela PUC-SP. Atua na área clínica desde 1992, especialista em Magistério do Ensino Superior na PUC-SP, e Logoterapia pela SOBRAL. Coordenador do grupo de pesquisa – Vazio Existencial e possibilidades de realizar Sentido – LABÔ – Fundação São Paulo – PUC-SP. Docente universitário em pós-graduação. Autor do livro “Magro. E agora?” – Editora Vetor. Sócio fundador da ABLAE, participou da gestão desde 2010, como membro do conselho científico e coordenador do conselho deliberativo. Cofundador e diretor clínico do Núcleo de Logoterapia AgirTrês.

Simone Guedes Alves Gomes dos Santos 
Pedagoga com especialização em Administração Escolar, Magistério, História e Filosofia da Educação pela PUC-SP, pós-graduada em Administração de Recursos Humanos pelas Faculdades Oswaldo Cruz, pós-graduada em Logoterapia pela ALVEF Curitiba. Docente universitária em graduação e pós-graduação. Autora de capítulos em livros sobre Desenvolvimento Humano: Gestão de Pessoas, Secretariado, Gestão Hospitalar. Sócia e participante da gestão da ABLAE desde 2012, atuou como 1ª secretária e vice-presidente. Cofundadora e diretora educacional do Núcleo de Logoterapia AgirTrês, Coach Logoterapêutica.

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