Em busca do agir na contingência da vida

ou como lidar com o impacto de que não estamos em direção a um “novo normal”


Diante das condições, limitações, lutos, imprevistos e de tudo o que tem se apresentado desde que a pandemia invadiu nossas vidas, como temos reagido? Agir na contingência da vida tem a ver com encarar as dificuldades e frustrações que se impõem, porém não se trata de qualquer tarefação, agir por agir, ou apenas para se distrair. Entre a reação instintiva e a ação com sentido, há uma tensão extrema que tem impacto em nossa saúde mental nestes tempos.

O enfrentamento do vírus acionou nosso sistema interno de segurança e impôs a revisão de rotinas básicas, desde higiene pessoal às de convivência. Instintivamente, ativamos nosso modo de luta-fuga diante de um inimigo invisível por muito tempo seguido; individualmente, o impacto do excesso de tensão diante da complexidade de questões que a pandemia trouxe já nos levou do espectro do medo e isolamento à raiva, à tentativa de fazer concessões para satisfazer as faltas, ao negacionismo, à desesperança total e sensação de falta de sentido. Já passou por algumas dessas fases por aí? São todas fases de luto, ou seja, de como lidamos com perdas.

A vacinação tem sido o lugar onde vimos depositando esperanças. Não à toa nos emocionamos e celebramos (e precisamos mesmo celebrar) cada pessoa que nos conta que recebeu sua dose e quando chega nosso dia de ida ao posto de saúde. Com a sensação de alívio, chega também uma inquietação: e agora?

Pois é, estamos longe do último estágio do luto: a aceitação. Aceitar que o “novo normal” não é uma reedição de como vivíamos antes da pandemia tem sido motivo de angústia para muitas pessoas. Aqui não venho trazer dicas de como abreviar o tempo da aceitação, porque simplesmente não adiantaria. Vivemos isso juntos, coletivamente, mas também enfrentamos, cada um, nossas questões. O que acredito que possa ser produtivo para você, que me lê e está em busca de agir na contingência da vida, é trazer aqui um pouco do que tenho observado e vivenciado nestes tempos, como psicólogo, e também a experiência de Viktor Frankl sobre questões que são silenciadas (até pela nossa voz interna), ligadas à sensação de vazio e estagnação que muitos de nós experienciamos.

No consultório, os casos, as queixas nesse sentido são relatadas, muitas vezes, como receio de sair de casa e retomar atividades de rotina, como ir à escola ou ao trabalho (síndrome da gaiola), como uma ansiedade paralisante diante de um futuro incerto, ou até como culpa pela falta de motivação, concentração e queda de produtividade. O luto por pessoas queridas também é um fator de sofrimento muito frequente, porém, a questão de se ver sem perspectiva futura, de não saber o que fazer no e a partir do estado atual ainda é o que ouço com mais peso emocional. Um peso em relação a um vazio.

O psiquiatra austríaco que sobreviveu ao holocausto nomeia essa sensação como vazio existencial em seu conhecido Em busca de sentido (1946). Para ele, o excesso de tensão sem a percepção de um sentido conduz a esse sentimento. Sabe aquela fase em que ficamos profundamente entediados com tudo e todos e nos questionamos: “afinal, para que tudo isso?” – é aí que mora o vazio. No livro, Frankl aponta essa sensação como algo recorrente no século XX, em virtude de dois fatores culturais principais: o primeiro está ligado à valorização da cognição em detrimento de nossos instintos animais básicos – como os humanos foram se vendo, ao longo dos séculos, separados da natureza, a ponto de explorá-la ao extremo, acabamos adormecendo esses instintos; já o segundo fator está ligado à queda das tradições, que antes eram modelo para nosso comportamento. Sem algo externo ditando o que devemos ou não fazer, caímos em duas armadilhas: a do conformismo (quando desejamos irrefletidamente o que a maioria faz ou quer) e a do totalitarismo (quando nos colocamos na posição de servos que só fazem o que outras pessoas mandam).

O século XXI veio somar mais um fator a esta equação de vazio existencial da era do individualismo: o definhamento. Esse conceito, analisado pelo sociólogo e psicólogo norte-americano Corey Keyes no início dos anos 2000, observa o espectro de emocionalidades e psiquismos que estão entre a depressão e o auge do bem-estar, as polaridades da saúde mental. Trata-se de um estado que contempla a falta de motivação, de desejo, de concentração, que nos conduzem à languidez – daí o fato de definhamento ser colocado como oposto ao estado de florescimento, que será aprofundado pela linha da Psicologia Positiva, com o estudo de Martin Seligman (2011) sobre o que compõe esse estado de satisfação, a saber: emoções positivas, engajamento, relacionamentos, significado, realização.

Atualmente, a sensação de vazio emerge de um estado de tédio diante da falta de sentido, tanto daquela dada por um outro – já que estamos desprovidos de referências e modelos e desconfiados das instituições – quanto da falta de sentido própria – uma vez que estamos com dificuldades de vislumbrar o que virá, com falta de perspectiva futura em múltiplas instâncias e escala global. Neste cenário, reconhecer-se saudável mentalmente é realmente um privilégio para pouquíssimos. Saúde mental, nas palavras de Frankl:

[…] está baseada em certo grau de tensão, tensão entre aquilo que já se alcançou e aquilo que ainda se deveria alcançar, ou o hiato entre o que se é e o que se deveria vir a ser. […] O que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente” (FRANKL, 2018, pp. 129-130, grifo nosso)

Este certo grau de tensão que Frankl defende é o que move cada indivíduo a buscar sentido na vida. A vida, para ele, pede um certo grau de tensão, nem a ausência e nem o excesso, mas uma tensão produtiva, importante para a saúde mental. Afinal, existe uma saída para essa sensação de morosidade e abatimento? Concordo com Frankl que sim: pelo agir. O autor testemunhou nos campos de concentração que as pessoas que tinham uma tarefa que as esperava sobreviviam mais. A essa tensão ele deu o nome de noodinâmica, que é definida como uma “[…] dinâmica existencial num campo polarizado de tensão, onde um polo está representado por um sentido a ser realizado e o outro polo, pela pessoa que deve realizá-lo” (FRANKL, 2018, p. 130). Acredito que acessar nossa noodinâmica individual e coletiva é o caminho para o bem-estar mental e seguir agindo com sentido.

Num polo, o sentido, no outro, quem realiza e se move em sua direção. A tensão pode ficar frouxa quando perdemos a percepção de um desses polos, ou seja, quando não nos vemos mais ou quando não vemos um sentido – aqui é terra fértil para definharmos até o buraco mais fundo do vazio existencial. O extremo oposto, quando a tensão estira demais, pode levar ao esgotamento, não só mental e emocional como físico – é o que acontece nos casos de burnout, esgotamento geral que leva àquele mesmo vale da sensação de vazio. No Brasil, pesquisas da ISMA (International Stress Management Association) já apontavam, em 2019, que mais de 70% dos profissionais brasileiros sofriam com sequela de estresse, mais de 30% de burnout e 90% continuavam trabalhando mesmo com a síndrome (ANAMT, 2009).

Não é à toa que a síndrome de burnout está para entrar na edição de 2022 da Classificação Internacional de Doenças da OMS, como doença associada ao estresse crônico no trabalho. Com a pandemia, as estatísticas aumentaram muito, especialmente entre trabalhadores essenciais no enfrentamento do vírus (ICICT/FIOCRUZ, 2020), professores e trabalhadores no modelo remoto.

Recentemente, o mundo testemunhou os efeitos do excesso de tensão no trabalho. A ginasta norte-americana Simone Biles optou por preservar sua saúde mental em vez de disputar uma final na competição das Olimpíadas. Com coragem, ela deu voz a tantos atletas que sofrem com a cobrança por excelência no desempenho.

A pandemia retirou os véus positivos que muitos ainda colocavam na produtividade e alta performance. Agir na contingência da vida não se trata nem de ativar modo sobrevivência, nem de excesso de produtividade. É sobre buscar um objetivo que valha a pena no contexto atual, uma tarefa que possa ser escolhida livremente, inclusive o não fazer nada.

Precisamos aprender (ou reaprender) a usufruir dos tempos de descanso, encontrar motivação no que está ao nosso alcance, no dia a dia – o que Frankl nomeia como “compreender o valioso da vida”. Para ele, são os valores de criação, de vivência e de atitude que nutrem o sentido na vida. Nutrir pequenas alegrias, lembrando que isso não significa apenas se distrair, e sim se implicar em cada ação e não ação. Resgatar a confiança nas relações, especialmente nas instituições dedicadas à pesquisa e ciência, assumir a responsabilidade pelo que compartilhamos e pela conservação da vida (hoje tão marcada pelas atitudes de usar máscara e tomar a vacina).

Assumir compromisso com nosso amadurecimento, sem excesso de autocentramento, também é um caminho de sentido fértil, pois transcende a nós mesmos e passamos a enxergar tanto o próximo que está do nosso lado quanto o que não vemos e que também é afetado pelas nossas escolhas.

Agir na contingência da vida pede esse nível de entrega ao viver, individual e coletivo. Que possamos fazer dos desafios as pérolas do novo tempo, que vamos aprender a viver juntos.

Um corpo estranho penetra na concha, / ferindo-a. / A areia áspera / machuca sua carne. / A concha sofre. / A concha tenta expelir / o intruso / e fracassa. / O grão de areia fixou-se. / A dor não pode ser eliminada. / Então o animal, a partir do âmago / da sua natureza, / busca a força / para transformar o sofrimento em triunfo. / Do sofrimento e da aflição, / da seiva de suas lágrimas, / surge, / em longos processos / de crescimento interior, / a pérola. (Lukas; Eberle, 1993)

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Referências bibliográficas

ANAMT – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE MEDICINA DO TRABALHO. O que é a síndrome de burnout, que entrou na lista de doenças da OMS. 4 nov 2019. Disponível em : <https://www.anamt.org.br/portal/2019/11/04/o-que-e-a-sindrome-de-burnout-que-entrou-na-lista-de-doencas-da-oms/> Acesso em 2 ago 2021.

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Trad. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 42 ed. Petrópolis: Vozes, 2017.

GRANT, Adam. Há um nome para isso que você está sentindo durante a pandemia: chama-se definhamento. The New York Times, 12 mai 2021. Trad. Romina Cácia. Acesso em jun 2021.

ICICT/FIOCRUZ – INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA EM SAÚDE. Pesquisa analisa o impacto da pandemia na saúde mental de trabalhadores essenciais. 29 out 2020. Disponível em: <https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-analisa-o-impacto-da-pandemia-na-saude-mental-de-trabalhadores-essenciais> Acesso em 2 ago 2021.

LUKAS, Elisabeth; EBERLE, Michael. Tudo tem seu sentido: reflexões logoterapêuticas. Petrópolis: Vozes, 1993.

ROCHA, Lucas. Saúde mental: como a pressão psicológica pode prejudicar o desempenho de atletas. CNN Brasil, 28 jul 2021. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/esporte/2021/07/28/saude-mental-como-a-pressao-psicologica-pode-prejudicar-o-desempenho-de-atletas> Acesso em 2 ago 2021.

Imagem: Heraldo Galan

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Este artigo foi escrito pelo nosso diretor diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, que é o coordenador do grupo de pesquisa “O vazio existencial na contemporaneidade e as possibilidades de realizar sentido” do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação de São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

O artigo foi publicado originalmente no site da Off Lattes que é o canal de divulgação da produção dos grupos de pesquisas do  Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – Labô

9º Curso de Logoterapia e Análise Existencial – Teoria e Prática clínica para profissionais da saúde

curso logoterapia e análise existencial em São Paulo - Prática Clinica - Saúde

Crédito da imagem: Ethan Sykes

Nós temos muita alegria em comunicar que o Núcleo de Logoterapia AgirTrês abre mais uma turma do curso vivencial direcionado a profissionais da saúde. Psicólogos, médicos e outros profissionais da saúde lidam com questões profundas sobre sentido da vida, sentido do sofrimento, questões relacionadas à finitude da vida entre outros temas que demandam sabedoria e estudo.

Um curso presencial em 10 módulos, com aulas mensais e uma turma pequena para proporcionar uma vivência e troca intensas destinadas à:

  • discussão de casos clínicos
  • aplicação de métodos e técnicas da Logoterapia
  • estudo da vida e obra de Viktor Frankl
  • bases filosóficas e antropológicas.

Pré-requisitos: ser profissional da área da saúde ou aluno do último ano de graduação dessa área, leitura prévia do livro Em busca de sentido, de Viktor Frankl, inscrição e entrevista.

Duração: 10 módulos, encontros mensais aos sábados, das 14h30 às 17h30. São 10 (dez) módulos de 10 (dez) horas/aula cada um, perfazendo 100 horas (cem horas) de aulas presenciais, mais 30 horas (trinta horas) de atividades complementares à distância, com duração total de 130 horas (cento e trinta horas).

Datas dos encontros:
14 março, 04 abril, 09 maio, 06 junho, 04 julho, 01 agosto, 12 setembro, 03 outubro, 07 novembro e 05 dezembro

Apenas 8 vagas. Oferecemos descontos para estudantes de graduação.

Local: R. Joaquim Antunes, 490. São Paulo-SP

Para mais informações sobre investimento e inscrição, escreva para contato@agirtres.com.br.

Veja a experiência de um aluno da turma anterior:

“Durante o curso vocês me proporcionaram um novo olhar sobre a psicologia, olhar esse que vinha buscando neste tempo de formação e profissão. Sempre com humor e acolhimento, mesmo nos momentos tristes e nas aulas mais densas sobre o Sentido do Sofrimento.

Obrigada por despertar novos olhares e novos sentidos na minha vida. Sentirei saudades desses encontros mensais mas tenham certeza que levo um novo sentido, um sentido prazeroso e cheio de amor. Obrigada por tudo e continuem iluminando o caminho de muitos que passam pela AgirTrês.” Luciana R. V

8º Curso de Introdução à Logoterapia e Análise Existencial – Teoria e Prática clínica

Photo by Heidi Sandstrom. on Unsplash

Um curso vivencial direcionado a profissionais da saúde psicólogos, médicos e outros, curso com foco na prática clínica | de fevereiro a novembro de 2019

Curso destinado à discussão de casos clínicos e aplicação de métodos e técnicas da Logoterapia, bem como o estudo da vida e obra de Viktor Frankl, sua bases filosóficas e antropológicas.

Pré-requisitos: ser profissional da área da saúde ou aluno do último ano de graduação dessa área, leitura prévia do livro Em busca de sentido, de Viktor Frankl, inscrição e entrevista.

Duração: 10 módulos, encontros mensais aos sábados, das 8h30 às 18h30. São 10 (dez) módulos de 10 (dez) horas/aula cada um, perfazendo 100 horas (cem horas) de aulas presenciais, mais 30 horas (trinta horas) de atividades complementares à distância, com duração total de 130 horas (cento e trinta horas).

Datas dos encontros: 23/02, 23/03, 27/04, 25/05, 29/06, 27/07, 24/08, 28/09, 26/10, 30/11

Apenas 8 vagas. Oferecemos descontos para estudantes, grupos e sócios da ABLAE.

Local: R. Joaquim Antunes, 490, cj. 31. São Paulo-SP

Para mais informações sobre investimento e inscrição, escreva para contato@agirtres.com.br.

Convite à leitura – Teoria e Terapia das Neuroses, de Viktor Frankl

Neste mês de homenagem ao psicólogo, convidamos à leitura da obra Teoria e Terapia das Neuroses: introdução à logoterapia e à análise existencial, de Viktor Frankl.

VOL VII PARTE I – Introdução

Teoria e terapia das neurosesPrefácio da 1ª Edição

Este livro originou-se das aulas ministradas por Viktor Frankl na Universidade de Viena chamadas “Teoria da neurose e psicopatia” ou também “Teoria e terapia das neuroses” e foram completadas pelos originais das palestras que realizou em outros lugares […]. Toda teoria e toda terapia das neuroses têm de se movimentar sobre uma escada celeste que está ficando sobre um chão clínico e mesmo assim alcançar o espaço metaclínico. Por motivos heurísticos e para fins didáticos, temos que agir como se existisse algo como degraus distintos dessa escada de Jacó. Na realidade, não existem neuroses puramente somatogênicas, psicogênicas e noogênicas, mas muito mais casos mistos – casos nos quais um fator somatogênico, psicogênico e noogênico protagoniza opiniões teóricas e intenções terapêuticas. Tais reservatio mentalis devem ser lidas nas entrelinhas.

Esquema da teoria das neuroses – I Teoria das Neuroses como Problema

“[…] Trata-se de uma questão à parte saber como conseguir manter e proteger a unidade da existência humana também na teoria, na observação do homem, na imagem do homem, apesar desse abismo insuperável entre o psíquico, de um lado, e o somático, do outro – sendo cada um deles uma maneira de ser essencialmente diferente. Em minha opinião, isso é possível no contexto de uma consideração da ontologia dimensional do problema psicofísico. Pois enquanto falarmos dessas maneiras de ser apenas em analogia com uma estrutura em degraus ou camadas – por exemplo, como fazem Nicolai Hartmann e Max Scheler, continua existindo o perigo de o ser humano ser dividido, por assim dizer, em um ser corporal e em um ser anímico – como se o homem fosse composto de corpo e alma (e espírito).” (Frankl, V. Teoria e Terapia das Neuroses – Introdução à logoterapia e à análise existencial,  p. 61).

“[…] a logoterapia não é uma terapia rival das outras, mas poderá ser um desafio para essas por conta de seu plus. Mas os efeitos desse plus nos são revelados por N. Petrilowitsch, quando ele diz que a logoterapia, ao contrário de todas as outras terapias, não se mantém no nível da neurose, mas vai além dela e alcança a dimensão dos fenômenos especificamente humanos. Com efeito a psicanálise enxerga na neurose o resultado de processos psicodinâmicos e, dessa maneira tenta tratar a neurose na medida em que insere no jogo novos processos psicodinâmicos, como a transferência. A terapia comportamental, ligada a teoria da aprendizagem, enxerga na neurose o produto de processos da aprendizagem ou conditioning processes e, nesse sentido se esforça para influenciar a neurose induzindo a um tipo de reeducação ou processo de recondicionamento. A Logoterapia por sua vez, entra na dimensão humana e, dessa maneira, fica apta a acrescentar a seu instrumental os fenômenos humanos específicos que surgem nessa dimensão. E, na verdade, trata-se de nada mais nada menos do que duas características antropológicas fundamentais da existência humana: em primeiro, sua aut transcendência e, em segundo, a capacidade de autodistanciamento, que específica em igual medida, a existência humana como tal, como humana.”  (Frankl, V. Idem, orelha do livro).

Para discutir casos clínicos e aplicação de métodos e técnicas da Logoterapia, bem como o estudo da vida e obra de Viktor Frankl, sua bases filosóficas e antropológicas, convidamos você a participar do nosso VII Curso de Introdução à Logoterapia e Análise Existencial – teoria e prática clínica, que começará em 2018. Clique aqui e saiba mais.

*Mensagem Nº 12* – 20/04/2017

Nesta postagem apresentamos o artigo HÁ COERÊNCIA ENTRE A VIDA E A OBRA DE VIKTOR FRANKL? Autoria Dra Marina Lemos da Silveira – IECVF – Instituto de Educação e Cultura Viktor Frankl.

Sobre a autora : Marina Lemos Silveira Freitas. Doutora e mestre em Medicina pela USP-RP e especialista em Logoterapia aplicada à Educação; Acadêmica do curso de pós-graduação em Análise Existencial e Logoterapia de Viktor Emil Frankl, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná

A obra de Viktor Frankl é altamente mobilizadora e convoca a pessoa humana a uma postura livre e responsável diante da própria vida. Verificar se isto aconteceu com seu autor, ou seja, verificar se há coerência entre a vida e a obra de Frankl, aumentará a credibilidade não só na teoria, mas na efetividade de sua aplicação. O presente trabalho pretende responder a esta questão em três momentos:

1) Contextualização histórica, familiar e de vida pessoal;

2) A partir de seu livro “Em busca de sentido”, extrair as atitudes que favoreceram a superação dos obstáculos no campo de concentração e relacionar com sua teoria;

3) A partir de seu livro “O que não está escrito nos meus livros”, extrair os princípios de vida do autor.

A validação da Análise Existencial e da Logoterapia pela coerência da vida de seu autor com sua obra, como tentamos demonstrar neste artigo, sem dúvida agrega valor inestimável à teoria.

Para nós, ficou evidente que a vida de Viktor Frankl é coerente com sua obra. Constatamos a congruência de um homem, vivendo e pensando do mesmo modo.

Para ler o artigo completo acesse o link a seguir:

http://periodicos.ufpb.br/index.php/le/article/view/15066

Fonte: LOGOS & EXISTÊNCIA – REVISTA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LOGOTERAPIA E ANÁLISE EXISTENCIAL 1 (2), 115-127, 2012.

Aproveitem mais um feriado em agradável companhia, boa leitura e benfazejas reflexões!

Abraços e até breve!

Simone Guedes

 

 

[INÉDITO] Curso de Formação em Coaching Logoterapêutico (nível 1)

O Núcleo de Logoterapia AgirTrês está sempre se aprimorando e buscando levar abordagens inovadoras da área até você. Após intensa pesquisa sobre sentido do trabalho na abordagem logoterapêutica e também depois de muitas solicitações, o Núcleo lança o primeiro Curso de Formação em Coaching Logoterapêutico (nível 1) do Brasil!

Com uma carga horária intensa de 102h, que contemplam 6 encontros presenciais e atividades a distância, mais 4h de supervisão de atendimento (mandatório para obtenção do certificado), grupo de estudos permanente e possibilidade de monitoria. Você será conduzido(a) a experienciar e analisar métodos, técnicas e instrumentos essenciais embasados na teoria frankliana e poderá aplicar todo esse conhecimento em sua vida pessoal e em processos de desenvolvimento pessoal.

O que é Coaching Logoterapêutico?

Coaching Logoterapêutico é direcionado a pessoas que pretendem incluir a Logoterapia em sua prática diária, pessoal ou laboral, seja como coach profissional, seja como pessoa comprometida com seu próprio “despertar” e senso de coerência para a realização do “Sentido da Vida”.

A Logoterapia nos possibilita compreender o potencial transformador da descoberta do “Sentido da Vida”, através do despertar da consciência. Acreditamos que encontrar o “caráter de algo único” da existência de uma pessoa transforma.

Nossa proposta é conhecer, refletir e apreender os pilares da Logoterapia: Vontade de sentido, Liberdade da Vontade e Sentido da Vida, pilares que constituem a tríade que estrutura nossa base teórica.

O que esperar deste curso?

Neste curso, abordaremos as bases filosóficas e antropológicas da teoria criada por Viktor Frankl e a aplicação de todo este rico arcabouço no processo do Coaching Logoterapêutico.

Trabalharemos com vivências, experienciando e analisando recursos e instrumentos essenciais para embasar a teoria frankliana, e para ampliar nosso campo de visão, possibilitando inovações em nossas perspectivas e realizAÇÕES.

Complementa o Curso de Formação em Coaching Logoterapêutico (nível 1) supervisão de atendimento (mandatório para obtenção de certificado), grupo de estudos permanente e possibilidade de monitoria, além da produção de artigos para publicação nos meios de comunicação do Núcleo de Logoterapia AgirTrês.

Trata-se de um curso vivencial e que privilegia o encontro e a troca entre os participantes, por isso, nesta primeira edição, abrimos apenas 10 vagas. Isso mesmo, você e mais 9 participantes vão experienciar este processo e aprender a aplicar a visão frankliana e a técnica do coaching logoterapêutico em sua vida pessoal e profissional.

Quando serão os encontros presenciais?

Os módulos presenciais ocorrerão em 6 sábados, das 8h às 18h, nas seguintes datas:

22 de julho
26 de agosto
23 de setembro
28 de outubro
25 de novembro
16 de dezembro

Carga horária e Certificado

São 102h de carga horária total do curso, indicada em seu certificado de participação com selo do Núcleo de Logoterapia AgirTrês. Nosso Núcleo é registrado no CRP-J- SP e acreditado pela Associação Internacional de Logoterapia e Análise Existencial e Instituto Viktor Frankl de Viena.

Pré-requisitos

Leitura prévia do livro Em busca de sentido, de Vikto Frankl, inscrição no formulário, envio de carta de intenção e curriculum vitae (CV) para contato@agirtres.com.br, entrevista pessoal, pagamento da taxa de reserva de vaga e assinatura do contrato.

Valor de investimento

O valor total de investimento neste curso completo: presencial + atividades on-line + supervisão é de R$ 4.500,00, sendo R$200,00 para reserva de vaga. Oferecemos 3 possibilidades de pagamento:

  • À vista: R$ 200,00 + R$ 3.870,00 (desconto de 10%); OU
  • R$ 200,00 + 6x R$ 681,00; OU
  • R$ 200,00 + 9x R$ 478,00.

Local do curso

Núcleo de Logoterapia AgirTrês, no bairro de Pinheiros, em São Paulo capital.