Cansaço nosso de cada dia

Estou cansado. As pessoas que atendo no consultório também estão, minha família também está, e imagino que você, que me lê agora, também esteja cansado(a). Que cansaços têm consumido você nestes tempos? Compartilho os meus: estou cansado por conta do aumento exponencial dos atendimentos no consultório psicológico, cansado das pessoas que não têm compaixão consigo e com o próximo, de não poder abraçar as pessoas significativas na minha vida. Cansado dos negacionistas, das pessoas que divulgam fake news. Cansado de olhar a fadiga pandêmica, de acompanhar pessoas afetadas direta e indiretamente pelo vírus, muitas delas que perderam musculatura, que não conseguem andar, que não conseguem respirar. Cansado de lidar com o medo, o medo do medo de contrair a doença, das neuroses que surgem, das relações desfeitas por conta de um mundo onde é cada vez mais difícil conviver. Cansado das telas, do computador, do celular, da televisão, que mostram sempre um mundo (especialmente um Brasil) que poderia ser conduzido de uma maneira diferente, se a questão da união das pessoas tivesse sido prioridade, de ver pessoas passando fome, do luto coletivo.

Falta pão e sobra cansaço. Um cansaço extremo que pode levar à apatia, à dificuldade de levantar para a vida. O choque diante da realidade que se apresenta, de maneira dura e, muitas vezes, cruel. Um grande mar que todos estamos atravessando, só que com embarcações bem diferentes: uns poucos de iate, outros de barco à vela, outros de canoa e a grande maioria nadando, contando com a própria sorte.

Estou cansado das notícias de UTIs lotadas, um ano após o início da pandemia, de ver profissionais de saúde esgotados diante de um trabalho insano, de olhar todos os dias as pessoas em alto grau de sofrimento, muitas delas morrendo sem a possibilidade de se despedir dos entes queridos. O luto que cobre o país e que poderia ser vivenciado de maneira diferente, mais humanizada.

Cansado de home officehome school e da invasão do trabalho no espaço privado das casas, alterando completamente nosso modo de viver. Cansado da falta de empatia, de oferecer um ombro amigo para poder descansar, de poder enxugar as lágrimas que caem a todo instante, clamando por uma resposta que possa acalmar os seus corações. Cansado dos carrascos que ocupam o poder em benefício próprio, deixando a população em risco, desinformando e promovendo o caos.

Resgatando um verso de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, para resumir o sentimento que predomina hoje (quase um século depois do poema): “o que há em nós é sobretudo cansaço”.

Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo.
Cansaço.
[…]
(Álvaro de Campos, “O que há”, 1934)

Talvez o desabafo até aqui dê voz ao seu cansaço também. E dar nome para o que nos tem atravessado é uma chave importante para abrir portas diferentes das que temos visto abertas atualmente: exaustão, fadiga pandêmica, estresse, esgotamento, apatia, burnout

A pandemia escancarou todas essas portas, que já estavam entreabertas para muitos de nós há pelo menos uma década. Basta uma pesquisa simples no Google Trends, ferramenta gratuita da empresa que disponibiliza informações de palavras-chave e tópicos pesquisados pelas pessoas no buscador, para ver que os termos “cansaço”, “exaustão” e “fadiga” já são bastante presentes nas pesquisas na internet, especialmente o primeiro termo. Chamam atenção os picos de pesquisa, no Brasil, dos termos “cansaço pós-covid”, em agosto de 2020 e, recentemente, em abril de 2021, nos Estados de MG, SP e RJ; já “fadiga” apresenta pico de interesse nos meses de março de 2020 e março de 2021, incluindo a maioria dos estados brasileiros. O termo “fadiga pandêmica”, que tem circulado em jornais e mídias sociais, especialmente no primeiro trimestre de 2021, ainda não apresenta dados na ferramenta. Sobre esse termo, recorro à definição da Organização Mundial de Saúde:

O que queremos dizer com fadiga pandêmica?
• Trata-se de uma reação natural e esperada diante de adversidades suportadas e não resolvidas na vida das pessoas.
• Expressa-se como uma desmotivação emergente para se envolver em comportamentos de proteção e buscar informações relacionadas à COVID-19, e também como complacência, alienação e desesperança.
• Ela evolui gradualmente ao longo do tempo e é afetada por uma série de emoções, experiências e percepções, bem como pelo ambiente cultural, social, estrutural e legislativo.
(OMS, 2020, p. 7, tradução livre)

Após mais de um ano de pandemia, o cansaço caracterizado como “fadiga pandêmica” se assemelha a uma resposta diante do trauma, no caso, coletivo. Viktor Frankl (2008) aponta a “apatia” como uma das fases vividas nesse contexto (naquela circunstância, o trauma vivido dentro dos campos de concentração). Esse desânimo multifatorial é relatado pelo neuropsiquiatra como resultante da saudade de seus familiares, do nojo da realidade ao redor, da mortificação de sentimentos normais (“indiferente e já insensível, pode ficar observando sem se perturbar”, relata Frankl).

A apatia e a insensibilidade emocional, o desleixo interior e a indiferença – tudo isso são características do que designamos de segunda fase dentro das relações psicológicas do recluso no campo de concentração – muito cedo também tornam a vítima insensível aos espancamentos diários e em quase cada hora. Essa ausência de sensibilidade constitui uma couraça sumamente necessária da qual se reveste em tempo a alma dos prisioneiros. (FRANKL, 2008, p. 38)

Nossa couraça atual tem se constituído de diversas violências mentais, emocionais, físicas e econômicas geradas tanto por um inimigo invisível – o vírus que nos coloca em estado de vigilância constante – quanto pela frustração diante do cenário atual e a constante incerteza em relação ao presente e futuro político e econômico. O estado de desmotivação e esgotamento nos colocam em estado de maior vulnerabilidade, especialmente para tomar decisões, pois dificulta a visão da situação em perspectiva.

O cansaço de esgotamento não é um cansaço da potência positiva. Ele nos incapacita de fazer qualquer coisa. O cansaço que inspira é um cansaço da potência negativa, a saber, do não-para. (HAN, 2017, p. 76).

Em Sociedade do Cansaço, o filósofo Byung-Chul Han descreve, com concisão e profundidade, os contextos e gatilhos desse estado de aborrecimento que experimentamos nos anos 2000 e 2010, decorrentes de uma violência neuronal a que fomos submetidos – porém, como ele aponta, ainda não vivíamos uma época viral:

Apesar do medo imenso que temos hoje de uma pandemia gripal, não vivemos numa época viral. […] Visto a partir da perspectiva patológica, o começo do século XXI não é definido como bacteriológico nem viral, mas neuronal. Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (TDAH), Transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a Síndrome de Burnout (SB) determinam a paisagem patológica do começo do século XXI. (HAN, 2017, pp. 7-8).

A paisagem patológica predominantemente neuronal, de que fala o filósofo, somou-se a uma pandemia viral, potencializando os sintomas e as consequências catastróficas desse estado de fadiga. Diante desse cenário, como lidar com o cansaço nosso de cada dia?

A OMS recomenda ações governamentais e fortalecimento do apoio público, com base em quatro estratégias-chave: a) entender as pessoas, que implica a escuta ativa dos indivíduos para o estabelecimento de políticas, intervenções e comunicações eficazes; b) reduzir risco; c) envolver as pessoas como parte da solução, não do problema; d) reconhecer e discutir os impactos da pandemia na vida das pessoas (OMS, 2020, p. 4) – todas apontando que a saída é coletiva, começando por ações locais, em grupos, até a escala nacional e global. Nesse sentido, torna-se urgente à nossa nação encontrar sentido na vida de nossos conterrâneos, de nossa comunidade. Colocar ao lado dessa busca a busca de sentido individual, não à frente dela.

Encontrar sentido, para sair do modo sobrevivência e nutrir valores de vivência, é uma chave fundamental. Esse encontro com o sentido da vida começa nos pequenos atos, no cotidiano, em fazer, por amor ao próximo não por medo, as condutas de prevenção do vírus, como respeitar distanciamento social e usar corretamente a máscara; bem como condutas de prevenção mental e emocional, buscando espaços de acolhida, escuta, desabafo. Precisamos de um descanso possível, cuidando uns dos outros com entendimento, compaixão e senso de comunidade, a fim de que possamos, em vez de cansaço, compartilhar pão.

—————————————————————————————————————-

Referências bibliográficas

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Trad. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 25 ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.

CAMPOS, Álvaro de (Heterônimo de Fernando Pessoa). [1944] Lisboa: Ática, 1993. OMS – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Pandemic fatigue – reinvigorating the public to prevent COVID-19. Policy framework for supporting pandemic prevention and management. Copenhagen: WHO Regional Office for Europe; 2020. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.

—————————————————————————————————————-

Imagem: “The Lovers” – René Magritte, 1928 (detalhe da obra em preto e branco)

—————————————————————————————————————-

Este artigo foi escrito pelo nosso diretor diretor clínico, Francisco Carlos Gomes, que é o coordenador do grupo de pesquisa “O vazio existencial na contemporaneidade e as possibilidades de realizar sentido” do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação de São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

O artigo foi publicado originalmente no site da Off Lattes que é o canal de divulgação da produção dos grupos de pesquisas do  Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – Labô

6ª Oficina de Sentido na Vida – 04/2018

Toda pessoa enfrenta situações difíceis, problemas, conflitos, adversidades.  E comumente nos questionamos sobre como AGIR diante de uma frustração existencial que envolve amizades rompidas, casamentos desfeitos, casos de morte de pessoas íntimas, carreiras profissionais terminadas, erros irreparáveis, grandes desilusões.
Na Logoterapia temos o conceito de Tríade Trágica – “sofrimento-culpa e morte”. Sabemos que diante dos desafios que a vida traz, é preciso tomar uma posição, uma Atitude. É sobre as ATITUDES que vamos trabalhar nesta vivência, a 6ª Oficina de Sentido na Vida.
O objetivo é ajudar as pessoas a despertarem para as possibilidades  e encontrarem Sentido no viver, aqui e agora.
Nosso referencial teórico:  Dr. Wiliam Breitbart, psiquiatra norte americano líder internacional nos campos da Psico-oncologia e Cuidados Paliativos, e Dr. Viktor Frankl, Psiquiatra e Neurologista Vienense que desenvolveu a teoria da Logoterapia e Análise Existencial.
Reserve sua vaga escrevendo para contato@agirtres.com.br.

O que vivi com Viktor Frankl #3 | Relato logovivencial de Glaucia Ueta

A terceira edição da série “O que vivi com Viktor Frankl” está muito especial! Nela, a psicóloga e a aluna da AgirTrês Glaucia Ueta relata o quanto a Logoterapia contribuiu para que ela encontrasse uma vida plena de sentido, superasse os obstáculos da deficiência visual e ainda lhe trouxesse presentes como conhecer Viktor Frankl pessoalmente! Ouça aqui e leia a seguir:


Glaucia“Gostaria de iniciar meu relato mencionado os sentimentos de gratidão e alegria que experimento diante desta incrível oportunidade de compartilhar aqui algumas das minhas vivências. Nasci com uma deficiência visual total e vivenciei um contexto familiar que enfrentou muitas dificuldades para aceitar a realidade de ter mais uma filha, a segunda entre quatro, com problemas de visão. Imersa nesse entorno que variava desde de tentativas de suicídio a palavras de encorajamento, segui escolhendo a esperança e a fé num sentido último que estava além, acima do sofrimento. Chorar sim, desistir nunca. Sempre muito curiosa, buscava excelência e alternativas para enfrentar os obstáculos e, responder à vida, aceitando quando necessário as limitações, mas, quando possível, desafiando-as, superando-as, encontrando e buscando o sentido da vida.
Experimentei na adolescência a realização deste sentido escolhendo relacionamentos interpessoais com qualidade. Ouvir, acolher, perguntar, para as pessoas como ela se sentiam para compreendê-las sempre foi meu movimento espontâneo e, a escolha da profissão, ser psicóloga foi apenas uma consequência. Estou formada em Psicologia desde 1988 pela PUC São Paulo. Iniciei minha trajetória profissional na clínica e como psicóloga numa instituição pública, unidade Sampaio Viana da antiga Febem, que acolhia crianças de zero a seis anos. Mais tarde, desenvolvi outros trabalhos entre eles um trabalho de orientação e apoio a pais e alunos em uma escola bilíngue sempre mantendo o atendimento clínico no consultório. Foi um grande desafio a realização do trabalho institucional: visitas domiciliares para avaliar o contexto familiar, acompanhamento dos processos nas varas de infância Juventude, atendimento a pequenos grupos de crianças, orientação às auxiliares de enfermagem e monitores, eram algumas das atividades desse trabalho. Esta realidade social com tantas particularidades se surpreendia ao se deparar com uma profissional cega, superando suas próprias limitações distanciando-se de si mesma para disponibilizar um atendimento mais humanizado, para ir além e entregar algo com valor ao mundo. Não era possível modificar em quase nada o sofrimento daquelas crianças, daquelas famílias mas foi uma tarefa única compartilhar com aquelas pessoas a força da liberdade de escolha com responsabilidade diante de qualquer situação quando, por exemplo, não media esforços para caminhar entre os muitos buracos de uma favela e visitar uma mãe angustiada em desespero, sentar e ouvi-la tomar um café que ela preparou e orientá-la. Um grande desafio que revelou o sentido de servir o outro com pequenos gestos que proporcionavam àquelas pessoas em sofrimento “pequenas alegrias”. Sem dúvida, todo grande desafio é em potencial uma imensa realização de sentido, uma imensa realização com sentido.

Meu encontro com a logoterapia aconteceu no segundo ano da universidade como resposta à minha busca de sentido com relação às abordagens teorias que estava estudando. Tudo que lia, ouvia me interessava muito, mas não completava meus pensamentos, minhas reflexões no que se referia à visão de homem. Eu participava como estudante de um grupo de profissionais psicólogos e psiquiatras cristãos e um colega nos apresentou Viktor Frankl. A ouvir a leitura de alguns trechos do livro “Em busca de sentido psicólogo no campo de concentração” experimentei um sentimento muito precioso único, um encontro de amor. Quanto mais eu ouvia sobre a logoterapia eu mais eu compreendia minha história pessoal, mais eu me apropriava das escolhas que havia feito para lidar com isso. O acesso à leitura para deficientes visuais era muito difícil e reduzido. Não tínhamos os livros disponíveis em braille sobre temas não comuns, muito menos leitores de tela. Contava com ajuda de amigos e familiares que liam em voz alta para mim – era a forma mais rápida de entrar em contato com os conteúdos. Mergulhada nesse amor pela logoterapia, questionar porque não se estudava Frankl não universidade, queria compartilhar com todos essa descoberta de sentido, de valor. Contagiei algumas amigas, convidei o colega que apresentou a logoterapia para dar uma palestra na PUC, São Paulo. Cartazes e divulgação de eventos, muito entusiasmo numa das disciplinas diante da possibilidade de tema livre. Preparei e apresentei um seminário sobre logoterapia. A notícia do Congresso em Brasília aumentou ainda mais meu entusiasmo, comecei a sonhar com a minha participação. Seria minha primeira viagem sozinha para um lugar que não conhecia ninguém, um grande desafio para mim. Lembro com carinho a importância do apoio do meu pai que me presenteou com a passagem de avião. Mais um presente!!! Estava me sentindo como quando se ganha um prêmio – ouvir e encontrar Viktor Frankl significava uma grande realização de sentido, o que me mobilizou para enfrentar as novas situações desafiadoras, viajando sozinha e superando da limitação visual. Muita emoção, fui com coragem, com determinação. Que privilégio conhecer Frankl! As palavras não são suficiente para descrever esta experiência, ouvir Viktor

Viktor Frankl, Gláucia e Eleonore Schwindt, em Brasília, em 1987.

Viktor Frankl, Gláucia e Eleonore Schwindt, em Brasília, em 1987.

Frankl na primeira fileira, ali bem pertinho de mim ensinando os fundamentos da logoteoria, simplesmente único irrepetível, um encontro de sentido. Era preciso registrar de todas as formas a unicidade, a emoção, a alegria neste momento. Não poderiam faltar fotos e autógrafo. Então fui surpreendida por outro presente maravilhoso encantador: o acolhimento, a sensibilidade, a delicadeza, a gentileza desse homem que ao autografrar o seu livro, meu livro, nosso livro, “A Presença Ignorada de Deus”, se preocupou em acalcar sua caricatura para que eu pudesse sentir com as pontas dos dedos o que ele havia desenhado. O que vivi com Viktor Frankl foi uma realização única plena de sentido. Caricatura-livro002Minha gratidão a Deus por essa vivência tão preciosa que continuo vivendo, com a logoterapia, minha logovivência, significa algo imensamente valoroso, uma realização de sentido do amor, no trabalho, na família, com cada pessoa um encontro, a liberdade de escolher responsavelmente, alinhando pensamento, sentimento, atitudes sempre buscando o valor em qualquer situação, com a força desafiadora do Espírito.

Minha busca de sentido atualmente consiste em uma produção escrita com uma leitura logoterapêutica sobre minhas vivências pessoais e profissionais afim de compartilhar meu legado profissional, como logovivente, e contribuir na formação de outros logoterapeutas. Meu imenso agradecimento com amor ao núcleo AgirTrês, queridos Francisco e Simone, a toda equipe que tem sido meu “par existencial” nesta busca de sentido.” Glaucia Ueta, setembro de 2017.

Confira mais registros desta logovivência:

Mesa do Congresso Humanismo e Logoterapia, em Brasília (1987).

Mesa do Congresso Humanismo e Logoterapia, em Brasília (1987).

Viktor Frankl autografa o livro "A presença ignorada de Deus" para Gláucia (1987).

Viktor Frankl autografa o livro “A presença ignorada de Deus” para Gláucia (1987).

À direita , Gláucia ao lado de Viktor Frankl (1987).

À direita , Gláucia ao lado de Viktor Frankl (1987).

Autógrafo-livro003

Capa-livro001